A dívida do Estado português subiu 300 milhões em maio, subindo a um novo recorde nos 250.313 milhões de euros. O indicador, relativo a maio, deverá ficar na história como o nível mais elevado na dívida pública porque em junho já houve um grande reembolso de dívida que irá fazer cair este valor bruto para o endividamento do país na próxima divulgação — mas enquanto esse fator não é refletido, o indicador continua a subir.

Os dados foram revelados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal e refletem a estratégia, por parte da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), de antecipar as necessidades de financiamento do ano — concentrando as emissões de obrigações do Tesouro no início do ano e aproveitando as taxas de juro mais baixas (que se preveem subir na segunda metade do ano). Tendencialmente, é isto que acontece nos primeiros meses do ano — para, depois, surgirem as datas de reembolso da dívida antiga que farão com que este indicador vá descer nos próximos meses.

Já em junho, mês que ainda não está refletido nos dados conhecidos esta segunda-feira, houve um reembolso de quase sete mil milhões numa linha antiga de obrigações do Tesouro, pelo que só esse efeito levará a uma queda expressiva do indicador quando for divulgado (no início de agosto, relativo a junho).

Até ao final do ano ainda haverá mais reembolsos em julho, setembro e novembro.

Depois do aumento superior a quatro mil milhões em abril, em maio registou-se “um aumento de 0,3 mil milhões de euros nos empréstimos relativamente ao final de Abril”, explica o Banco de Portugal.

“Os ativos em depósitos das administrações públicas diminuíram 1,1 mil milhões de euros, tendo a dívida pública líquida de depósitos registado um acréscimo de 1,4 mil milhões de euros em relação ao mês anterior, totalizando 226,3 mil milhões de euros”, acrescenta a instituição.

Eis como evoluiu o valor total, bruto, da dívida pública portuguesa, na ótica de Maastricht (clique na imagem para aumentar a dimensão).