O mundo das artes brasileiro está de luto depois de ter perdido no mesmo dia, na quarta-feira, três conceituados artistas: António Dias, Mário Cravo e Eleonora Koch.

António Dias, famoso pelas suas obras em papel ‘kraft’, morreu durante a tarde de quarta-feira no Rio de Janeiro aos 74 anos, após anos a lutar contra um cancro. Dias nasceu em 1944 na cidade de Campina Grande, no estado da Paraíba (nordeste) e mudou-se para o Rio de Janeiro aos 14 anos. Em 1965, viajou para a Europa com uma bolsa de estudos de pintura que havia recebido na Bienal Francesa e, aos 21 anos, ganhou o prémio da Bienal de Paris. Em 1972 recebeu uma bolsa da Fundação Simon Guggenheim para trabalhar em Nova Iorque e, cinco anos depois, viajou para a Índia e Nepal, onde estudou técnicas de produção de papel.

Já Mário Cravo, de 95 anos, morreu na cidade de Salvador, no estado da Bahia, vítima de doença prolongada. O artista baiano começou a sua carreira como pintor, mas ficou notabilizado pela escultura. Estudou primeiro no Rio de Janeiro e depois nos Estados Unidos e, quando voltou ao Brasil, fez parte da primeira geração de artistas modernistas baianos, tornando-se especialista em monumentos. Em mais de 70 anos de atividade profissional, Cravo foi um dos artistas que mais estimulou e valorizou os elementos da cultura popular para produzir arte.

Eleonore Koch foi a última dos três artistas que o Brasil viu partir na quarta-feira. A pintora de origem alemã morreu de insuficiência cardiorrespiratória aos 92 anos de idade num hospital em São Paulo. A artista foi a única aluna do pintor Alfredo Volpi – considerado pela crítica como um dos mais importantes artistas da segunda geração do modernismo. Lore, como era conhecida entre as amigas, há muitos anos que estava doente e não pintava desde então devido a problemas de visão. Eleonora Koch participou em duas edições da Bienal de São Paulo (1959 e 1967) antes de se instalar em Londres em 1968.