O navio Aquarius, que em junho andou à deriva durante dias à espera de autorização para atracar com centenas de migrantes a bordo, volta a fazer um pedido aos governos europeus para que lhe concedam um porto seguro onde desembarcar. Desta vez, o Aquarius, operado pelas Organizações Não-Governamentais SOS Mediterranee e Médicos Sem Fronteiras (MSF), transporta 141 pessoas que resgatou do mar na sexta-feira, perto da costa da Líbia.

A SOS Mediterranee e os MSF fizeram este domingo um pedido aos executivos europeus e às autoridades marítimas dos países costeiros para que lhes seja concedida autorização para atracar num porto europeu. “As duas organizações pedem aos governos europeus que determinem um local em segurança próximo, sem demoras, cumprindo a Lei Internacional Marítima, para que as pessoas resgatadas no mar possam desembarcar e o Aquarius possa continuar a prestar assistência humanitária que é urgente e necessária”, pode ler-se no comunicado divulgado pelos MSF.

O navio efetuou dois resgates na passada sexta-feira ao largo da Líbia. Dos 141 migrantes resgatados, 67 são menores que viajavam sozinhos. Segundo o El País, outros seis menores viajavam com pelo menos um dos progenitores. A SOS e os MSF dizem que mais de 70% das pessoas resgatadas vêm da Somália e da Eritreia, países com alguns dos piores índices de respeito pelos direitos humanos do mundo.

As autoridades líbias comunicaram ao Aquarius que “não poderia oferecer um lugar seguro” e aconselhou o navio a procurar outro porto de abrigo. As ONG que operam o barco dizem que contactaram as autoridades em Itália, Malta e Tunísia, mas não obtiveram autorização para atracar.

Os grupos resgatados comunicaram ao Aquarius que encontraram cinco barcos quando estavam à deriva no Mediterrâneo, mas que nenhum lhes prestou auxílio.

“Parece que o próprio princípio de prestar ajuda a pessoas que estão em dificuldades no mar está agora em risco”, declarou Aloys Vimard, coordenador do MSF a bordo do Aquarius. “Os navios podem não mostrar disponibilidade para responder a estes pedidos devido ao risco elevado de ficar apeado e de não lhe ser concedido um porto de abrigo.”

O Aquarius andou à deriva durante uma semana em junho, enquanto transportava 630 migrantes resgatados do mar, incluindo crianças e uma mulher grávida. Tanto os governos de Itália como de Malta rejeitaram acolher o navio, acabando por ser o recém-formado Executivo de Pedro Sánchez em Espanha a oferecer um porto ao Aquarius.

Fontes do Governo espanhol explicaram ao El Mundo que, desta vez, Sánchez ainda não se ofereceu para voltar a fazê-lo porque o navio “não fez um pedido formal” a Madrid. “Só temos informações extra-oficiais e há que esperar e ver como se desenvolvem os acontecimentos”, sublinhou uma dessas fontes.

Sánchez encontrou-se no passado fim-de-semana com a chanceler alemã Angela Merkel para discutir o tema da imigração e a resposta europeia ao fenómeno. Segundo o El País, os dois líderes pretendem formar uma “frente política anti-xenófoba” que envolva ainda os governos de França e Portugal, a fim de alcançar um redistribuição mais equitativa dos migrantes por toda a Europa.