A nova campanha de Frize tinha tudo para correr bem: uma água com gás 100% natural, uma nascente localizada num cenário paradisíaco em Vila-Flor, Trás-os-Montes, uma atriz belíssima e uma agência criativa apostada em, pela primeira vez na história da marca, revelar a origem da água Frize. Mas “algo correu mal”. Muito mal, até, a julgar pelos episódios da saga que já estão disponíveis no site da Frize e no Facebook da marca, ameaçando tornarem-se virais nas redes sociais.

Mas, afinal, o que é que correu assim tão mal na gravação da campanha “O segredo mais bem guardado da natureza”? Embora reticente em falar sobre o assunto, a atriz Inês Aires Pereira encontrou-se connosco para uma entrevista que, para sermos sinceros, também não correu como seria de esperar. O bom humor e irreverência da protagonista, em conjunto com carros que teimavam em passar numa rua habitualmente deserta, não deu para grande coisa. Não permitiu sequer ficarmos a conhecer esse tal segredo, «porque os segredos não se revelam», confidenciou-nos no final.

Esquilos, texugos e raposas

Alguns factos, contudo, conseguimos apurar. Ainda que nunca possamos desvendar se são verdadeiros ou falsos. Desde logo, foi-nos confirmado que a equipa de filmagens foi alvo de um furioso ataque de esquilos, texugos, lontras e até de raposas. Entre risos, Inês Aires Pereira recorda que viveu «umas peripécias e algumas foram chatas», referindo-se à investida dos animais do bosque. «Não foi muito agradável, não podemos mostrar essas imagens», diz, ao mesmo tempo que recorda um dos imprevistos mais divertidos das gravações: «A determinada altura, quando acabou o ataque, eu olho para o pé e tenho um esquilo agarrado ao meu dedo mindinho. Foi uma das coisas mais hilariantes da campanha».

O que também nos garantiu foi que a população de Vila Flor tudo fez para proteger a localização da nascente de água Frize. Trabalhar nestas condições, claro, não é fácil. Mas foi precisamente por ser assim que a atriz aceitou participar na campanha. Parece confuso? Nada disso, nós explicamos: é que o guião da campanha era tudo menos convencional. O objetivo dos criativos passou por criar um filme com vários episódios que nos faz acreditar que as situações vividas no ecrã realmente aconteceram. Cómico, portanto. Tal e qual como Frize já habituou os consumidores ao longo dos anos.

“Isto é a minha cara”

Depois da ideia, faltava quem a interpretasse genuinamente. E basta estar cinco minutos ao pé de Inês Aires Pereira para se perceber que é a pessoa certa. «Não me imagino a fazer qualquer anúncio, mas quando me mostraram o guião desta campanha eu fiquei assim “isto é a minha cara”. Tem humor, irreverência. Adorei. Até acontecer o que aconteceu… mas estou viva, estou bem», responde-nos, esforçando-se por parecer séria, quando lhe perguntamos como foi participar neste projeto.

E como é que uma atriz se prepara para um papel destes? Pesquisa no YouTube, claro. Ou, pelo menos, foi esta a estratégia seguida por Inês Aires Pereira: «Quando vi no guião “uma belíssima atriz bebe uma garrafa de água”, pensei “eu não acredito que vou fazer isso… eu vou ter de ser a sensual, a bela, a sexy?”. Então, fui para o YouTube, porque quando tenho de ser sensual é quando sempre corre mal. Fui ver como é que eu ficava elegante a dar um gole de Frize. Foi essa a minha preparação, foi ver essas mulheres super sexy a beber água».

Personagens reais. História fictícia?

A série é composta por vários episódios e, além de Inês Aires Pereira, participam as próprias equipas que trabalham a marca Frize, os criativos da agência, bem como habitantes de Vila Flor. E sim, segundo a protagonista, as gravações foram tão divertidas como nos parece ao ver a saga. «Adorei a D. Maria – uma senhora muito simpática que passa num dos filmes com uma raposa embalsamada ao colo – e levo-a no coração. Foram dois dias muito bem passados até ao ataque», remata.

A nova campanha Frize está no ar desde o dia 1 de agosto e poderá ser vista até final de setembro. Os episódios passam-se nos escritórios da marca Frize, na agência criativa, em salas de estudo de consumidor e, claro, em Vila Flor, o local de origem da água Frize. Numa divertida e original mistura entre os registos publicitários e de making of, o projeto revela (ou tenta revelar) o local onde a água é captada, reforçando o facto de se tratar de uma água com gás 100% natural. Mas isto tudo num tom muito pouco habitual em campanhas do género.

Isto mesmo é realçado por João Oliveira, diretor criativo da J. Walter Thompson Lisboa, a agência responsável: «Fazer diferente era essencial. O facto de nunca ter sido comunicada a sua origem levou-nos ao segredo mais bem guardado da natureza e daí à execução. Uma execução fora de pé, sabemos, mas era importante que assim fosse. Criámos, em conjunto com a direção de marketing de Frize, um meta-anúncio. Quem diz que os clientes não têm coragem, ora aqui tem uma prova cabal do contrário».

Filipe Guerreiro, marketing manager da área de Refrigerantes & Águas SUMOL+COMPAL (empresa que detém a marca Frize), justifica a decisão: «Temos todo um universo descontraído, bem-disposto, humorístico e levamo-lo para a campanha, que procura responder às dúvidas dos consumidores, como origem e naturalidade. Não estamos arrependidos, pois se Frize tivesse uma campanha by the book, formatada, típica, não seríamos nós.”

Mas, no fim de contas, o que é verdade ou ficção nesta história toda? A terminar a entrevista, e como quem não quer a coisa, voltámos a insistir junto de Inês Aires Pereira: alguma coisa correu mesmo mal? «A parte do esquilo foi o melhor de tudo! Ver um esquilo agarrado ao meu mindinho foi incrível. O pior foi antes, mas nós não podemos mesmo mostrar. Dá para ver que fui arranhada e… isto agora tem piada, mas na altura foi um pânico.»