Manifestações

“Muitos milhares” enchem praça em Lisboa para pedir melhores condições laborais

O combate às desigualdades, à precariedade e à desregulamentação dos horários de trabalho são parte das reivindicações. A CGTP pede combate a maiorias absolutas, estas desfavoráveis aos trabalhadores.

TIAGO PETINGA/LUSA

“Muitos milhares” de manifestantes de todo o país estão esta quinta-feira a encher a praça Marquês de Pombal, em Lisboa, na ação nacional convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP) para exigir melhores condições laborais.

“Muitos milhares de trabalhadores já cá estão e muitos outros estão a chegar, portanto vamos ter uma manifestação com algumas dezenas de milhares de trabalhadores que, a uma só voz, vão aqui manifestar o seu descontentamento pela ausência de resposta positiva às suas reivindicações, quer do setor privado, quer do setor público”, declarou o líder da CGTP, Arménio Carlos, falando aos jornalistas no local onde se iniciou a manifestação.

Na ação, são esperados mais de 10 mil trabalhadores vindos de todo o país, em mais de 100 autocarros e em dois comboios provenientes do Porto, a par de dezenas de milhares provenientes da zona de Lisboa e arredores, que se deslocam em transportes públicos ou em transporte próprio.

Porém, de acordo com Arménio Carlos, estes números devem ser ultrapassados. “Neste momento, com [trabalhadores de] Lisboa e Setúbal que estão a chegar, serão provavelmente o dobro ou o triplo” do previsto, indicou. O sindicalista realçou, assim, aquilo que espera ser uma “grande adesão, grande participação e grande vontade”. “Está nas mãos dos trabalhadores mudar as suas condições de vida e de trabalho”, salientou.

A manifestação nacional da Intersindical seguia pelas 15h44 em direção à praça dos Restauradores, em Lisboa, sob o lema “Avançar nos Direitos, Valorizar os Trabalhadores”. O combate às desigualdades, à precariedade e à desregulamentação dos horários de trabalho, a dinamização da contratação coletiva e a revogação da nova legislação laboral são as principais reivindicações da CGTP.

A central sindical defende, assim, a promoção do progresso social e do desenvolvimento do país como forma de dar resposta aos problemas dos trabalhadores e da população em geral. Para tal, reivindica o aumento geral dos salários de todos os trabalhadores em 4%, garantido um mínimo de 40 euros, a fixação do salário mínimo nos 650 euros em janeiro de 2019, o aumento das pensões de reforma, a defesa e melhoria dos serviços públicos e funções sociais do Estado. A manifestação nacional da CGTP termina com uma intervenção político-sindical do secretário-geral, Arménio Carlos.

CGTP pede combate a maiorias absolutas que são desfavoráveis aos trabalhadores

O líder da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Arménio Carlos, defendeu esta quinta-feira o combate a maiorias absolutas no parlamento que, independentemente do partido, são “desfavoráveis” à classe trabalhadora, e vincou ser “hora de ação” para exigir melhores condições. “Nunca, mas nunca essa maioria absoluta se mostrou favorável aos trabalhadores”, independentemente de ser “do PS ou do PSD/CDS”, declarou o dirigente sindical, no final da manifestação nacional da CGTP, em Lisboa.

Falando na praça dos Restauradores, perante milhares de trabalhadores de todo o país que esta quinta-feira se juntaram na capital, Arménio Carlos vincou: “E se dúvidas subsistissem, convém recordar que se houve avanços em relação a algumas matérias [desde 2015] só foram possíveis porque o Governo do PS não teve maioria absoluta e teve de negociar com o PCP, o BE e o PEV”.

“Saibamos estar atentos, passar a mensagem e estimular os nossos trabalhadores a que nos próximos tempos desenvolvam a luta”, sublinhou, realçando que “a hora é de ação, reivindicação e luta nos locais de trabalho e na rua, para assegurar a resposta necessária que os trabalhadores reclamam e o país precisa”. A seu ver, “esta intervenção vai ser determinante nos próximos atos eleitorais”, como as eleições legislativas de 2019.

Como principais reivindicações, Arménio Carlos elencou desde logo a necessidade de “travar a proposta de lei do Governo do PS” sobre a lei laboral, que “acentua o desequilíbrio de forças a favor do patronato”, causando ainda “impactos negativos que esta proposta tem para o bem-estar dos trabalhadores e das suas famílias”. Por isso, pediu aos deputados socialistas: “Votem contra”.

Outra das reivindicações é a subida do salário mínimo nacional de 600 euros para 650 euros. “Para acabar com salários baixos e promover uma justa distribuição da riqueza, é preciso que respondam positivamente à exigência do aumento geral dos salários”, avisou Arménio Carlos. E exigiu ainda: “A proposta de Orçamento do Estado para 2019 do Governo do PS precisa de ir mais além”.

Na ação desta quinta-feira, participaram trabalhadores vindos de todo o país, em mais de 100 autocarros e em dois comboios provenientes do Porto, a par de dezenas de milhares da zona de Lisboa e arredores, que se deslocam em transportes públicos ou em transporte próprio.

Estes manifestantes eram, também, de vários setores, como dos serviços, da limpeza, da administração local e pública, da logística, da banca e dos serviços. Aludindo à participação de funcionários do Novo Banco, Arménio Carlos destacou que “foi a primeira vez que estes trabalhadores fizeram greve e estão em conjunto na greve da CGTP”.

O percurso começou na praça Marquês de Pombal e terminou nos Restauradores, com a intervenção do líder da CGTP perante a Avenida da Liberdade cheia de manifestantes. Arménio Carlos terminou a sua intervenção citando o poeta brasileiro Vinicius de Morais, para mostrar solidariedade com o “povo brasileiro que se vê confrontado com ideias pseudofascistas”, numa alusão à eleição de Jair Bolsonaro para Presidente. “A única coisa que cai do céu é a chuva, o resto é luta”, concluiu, lendo a frase do poeta.

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