A Marinha ucraniana acusou a Rússia de atacar e capturar três dos seus navios no Mar Negro, ao largo da Crimeia. De acordo com a BBC, os russos apoderaram-se de dois torpedeiros e de um rebocador depois de uma perseguição. O jornal britânico The Guardian fala em seis feridos, citando dados oficiais de Kiev, mas Moscovo garante que apenas dois terão sofrido ferimentos.

Segundo o The Guardian, que cita um comunicado da Marinha da Ucrânia, o incidente terá acontecido quando os navios estavam a navegar em direção ao porto de Mariupol, no Mar de Azov, uma zona de grande tensão entre os dois países. Um navio que guardava a fronteira russa terá disparado contra os ucranianos, danificando o motor e o exterior do rebocador.

Em resposta ao incidente, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, terá convocado uma reunião de emergência com o seu gabinete para a noite deste domingo. O conselho de segurança nacional e o conselho de defesa estão reunidos desde as 22h (meia-noite locais), de acordo com a BBC, e estará a ser proposta a instauração da lei marcial. Segundo a cadeia de televisão britânica, Poroshenko declarou que irá propor a votação da declaração de lei marcial ao Parlamento ucraniano, esta segunda-feira. Caso isto venha a acontecer, será a primeira vez que esta é instaurada desde a anexação da Crimeia e do início da guerra no leste da Ucrânia. Nem durante o apogeu do conflito, em 2014 e 2015, foi decidido avançar com esta medida.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Pavlo Klimkin, considerou que “a Rússia levou a cabo um ato de agressão contra a Ucrânia”, que viola “as normas da Carta das Nações Unidas” e as convenções da Lei Marítima. Kimkin disse que está em contacto com “amigos e líderes de organizações internacionais como a NATO e a União Europeia” para que se decida que medidas devem ser tomadas. “O presidente vai falar dentro em pouco com os líderes das organizações internacionais para construir uma coligação que resista aos atos de agressão da Rússia”, disse a um canal de televisão ucraniano, segundo a BBC.

A missão ucranina nas Nações Unidas já confirmou que o Governo ucraniano pediu uma reunião de emergência com o Conselho de Segurança da ONU.

Vários manifestantes já se reuniram em frente à embaixada da Rússia em Kiev, em protesto.

Rússia já confirmou ataque a navios ucranianos

O FSB, a principal agência de segurança russa (ex-KGB), confirmou entretanto em comunicado que a Rússia atacou a Marinha ucraniana ao largo da Crimeia. De acordo com a versão do FSB, os navios Berdiansk, NikopolYany Kapu tentaram entrar ilegalmente no Mar Negro apesar dos “apelos legais” para que recuassem. Perante as “manobras perigosas”, os russos decidiram disparar. Na mesma nota, citada pela RTP, a agência de segurança salientou que as autoridades da Ucrânia conhecem os procedimentos acerca da passagem de navios da Marinha para águas territoriais russas.

Os marinheiros que ficaram feridos receberam assistência médica da parte dos russos, esclareceu ainda o FSB.

NATO reitera apoio à soberania ucraniana, UE pede contenção a todos

Oana Lungescu, porta-voz da NATO, disse que a aliança militar está a “monitorizar de perto” os mais recentes acontecimentos no Mar de Azov e pedir restrição.

“A NATO apoia a soberania da Ucrânia e a sua integridade territorial, incluindo os seus direitos de navegação nas suas águas territoriais. Apelamos à Rússia que garanta o acesso sem obstáculos aos portos ucranianos no Mar de Azov, de acordo com a lei internacional”, afirmou.

Lungescu lembrou que “na cimeira de Bruxelas, em julho, os líderes da NATO expressaram o seu apoio à Ucrânia e deixaram claro que a militarização da Crimeia, do Mar Negro e do Mar de Azov pela Rússia representa uma ameaça à independência da Ucrânia e mina a estabilidade da região fronteiriça”.

Federica Mogherini, alta representante da União Europeia (UE) para a Política Exterior, também se pronunciou. “Esperamos que a Rússia restaure a liberdade de passagem no estreito de Kertch e apelamos a todos para atuarem com a maior contenção para baixar a tensão imediatamente”, indicou em comunicado, relembrando que a UE “não reconhece e não reconhecerá” a “anexação ilegal” da Crimeia por parte da Rússia.