Investimento

Tabaqueira investiu cerca de 350 milhões de euros em Portugal desde a privatização

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A Tabaqueira, que é uma das maiores empresas exportadoras portuguesas, investe entre 13 a 14 milhões de euros por ano no mercado português, de acordo com a empresa.

INÁCIO ROSA/LUSA

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  • Agência Lusa

A Tabaqueira, subsidiária da Philip Morris International, investiu desde a sua privatização “à volta de 350 milhões de euros, disse esta quarta-feira o diretor-geral, que admitiu que a fábrica portuguesa seja convertida para produzir tabaco sem combustão.

“Desde a privatização, em 1997, a empresa já investiu à volta de 350 milhões de euros” no mercado português, adiantou o diretor-geral da Tabaqueira, Miguel Matos, num encontro com jornalistas.

A Tabaqueira, que é uma das maiores empresas exportadoras portuguesas, investe entre 13 a 14 milhões de euros por ano no mercado português, de acordo com a empresa.

A subsidiária da Philip Morris International (PMI) em Portugal está a acompanhar a tendência do grupo, mudando “de paradigma” no negócio, com a introdução de tabaco sem combustão (denominados Iqos), aposta estratégica da empresa, segundo o diretor-geral.

Perante esta estratégia, a Tabaqueira admite a conversão da fábrica portuguesa para a produção de tabaco sem combustão.

“Tendo nós a ambição de mudar os fumadores para estes produtos”, as fábricas “também têm de se converter”, considerou Miguel Matos, apontando que, recentemente, foram convertidas “totalmente” as fábricas do grupo de Itália, Grécia e Roménia.

Ou seja, aquelas unidades deixaram de produzir tabaco convencional para passar a produzir tabaco sem combustão.

“A ideia é as próximas fábricas serem convertidas parcialmente”, num sistema dual, cigarros convencionados e sem combustão.

No caso português, a conversão poderá passar por parcial.

“Não consigo é dar uma data”, disse, apontando que há mais fábricas da Philip Morris que concorrem entre si para captar este investimento.

A Tabaqueira “quer deixar de comercializar cigarros convencionais e produzir produtos sem combustão”, salientou, apontando que dentro de sete anos (2025) a PMI tem como meta que perto de um terço (30%) do seu negócio esteja assente nos produtos sem combustão.

Em 2017, o peso global desta área do negócio no grupo era de 16%.

“Produzimos 25 mil milhões de cigarros por ano” em Portugal e “as fábricas [do grupo] competem entre si com indicadores de qualidade, eficiência, custos. Temos de continuar a fazê-lo para atrair investimento da Philip Morris e o facto do Iqos continuar a ser um sucesso em Portugal é muito importante para atrair investimento”, acrescentou Miguel Matos.

“Obviamente, o ambiente regulatório também é importante”, disse o gestor, manifestando-se “otimista para atrair investimento” para o mercado português.

Em Portugal, o peso do tabaco sem combustão é 4% este ano e a Tabaqueira espera “duplicar” o peso “para 8%” no próximo ano, prevendo disponibilizar o produto em 15.000 máquinas de venda.

A nova estratégia da Philip Morris “impacta a cultura da empresa”, já que a torna “mais tecnológica”, salientou Miguel Matos.

Atualmente, a Tabaqueira exporta 80% da sua produção.

“Hoje produzimos 25 mil milhões [de cigarros], somos a fábrica do sul da Europa da Philip Morris”, salientou o diretor-geral.

A Tabaqueira também tem centros de excelência do grupo em Portugal, que servem vários países, e Miguel Matos considera que o país tem capacidade para “atrair mais centros”.

Com cerca de 800 trabalhadores, a produtora de tabaco pretende aumentar “claramente” o número de colaboradores no próximo ano, “nomeadamente na área comercial”.

Está neste momento a iniciar o processo de certificação de igualdade de género na empresa, adiantou Miguel Matos.

Com uma faturação de 1.500 milhões de euros em 2017, dos quais 1.200 milhões respeita imposto sobre o tabaco, o diretor-geral disse que o negócio “vai crescer” este ano, mas não adiantou detalhes, uma vez que o grupo está cotado em bolsa.

Questionado sobre eventual interesse em empresas produtoras de canábis, o diretor-geral afastou esse cenário, salientando que o foco da Philips Morris “é o tabaco aquecido”.

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