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Jeff Bezos vai divorciar-se. O que é que isto significa para a Amazon?

Jeff Bezos, o homem mais rico do mundo e fundador da Amazon, vai divorciar-se da mulher, que foi "fundamental" para criar a empresa. Não há "impacto material", diz analista, mas há dúvidas.

Jeff Bezos fundou a Amazon em 1994. O objetivo inicial era que se tornasse a maior livraria do mundo. Atualmente, é o maior retalhista

Getty Images

Pode dizer-se que Jeff Bezos tem tudo: criou do zero a maior empresa do mundo, a Amazon (atualmente é mais valiosa do que a Apple); é a pessoa mais rica, segundo a Forbes; é pai de quatro filhos (três rapazes e uma rapariga, que adotou); e até é dono de um dos jornais mais influentes, o Washington Post. Agora, pelo Twitter, Bezos anunciou que a mulher, MacKenzie Tuttle, escritora, e o multimilionário vão divorciar-se. Segundo a Reuters, a notícia não vai ter “impacto material” na empresa, mas a Amazon não avança pormenores sobre um possível acordo do antigo casal.

Na publicação do Twitter, assinada por Jeff e MacKenzie, o casal afirma que o divórcio foi amistoso e que foi concluído depois de um “longo período de exploração amorosa e de separação”. Quanto aos negócios e projetos que têm em comum, Jeff e MacKenzie afirmam que “veem um ótimo futuro”, da mesma forma que o veem como “pais e amigos”. “Apesar de os rótulos passarem a ser diferentes, permanecemos uma família”, dizem.

Jeff e MacKenzie em abril de 2018 (JORG CARSTENSEN/AFP/Getty Images)

Os pormenores de um possível acordo entre o casal não são conhecidos. A Amazon não avança informações e, na bolsa, depois do anúncio, as ações da Amazon não sofreram nenhum impacto relevante (na altura da publicação deste artigo estavam até a subir em 0,24%). Thomas Forte, um analista da DA Davidson & Co., afirmou à Reuters que o divórcio “não deve ter impacto material nem na empresa nas nas suas ações”.

Jeff e MacKenzie conheceram-se em 1992, quando o multimilionário ainda trabalhava na empresa de investimento D. E. Shaw. Casaram-se um ano depois, em 1993. Bezos, que ainda é presidente executivo da Amazon, várias vezes referiu o papel de MacKenzie como “fundamental” para a criação da empresa, em 1994. Nos anos que se seguiram à mudança de Nova Iorque para Seattle, MacKenzie chegou a estar responsável pela contabilidade da Amazon, quando ainda era uma startup.

Bezos detinha, segundo os últimos dados de fevereiro de 2018, 16,1% das ações da Amazon. Com o divórcio, metade destas ações podem passar a ser de MacKenzie, avança o Recode, através do tweet do jornalista da CNBC Carl Quintanilla. A presunção existe porque no estado de Washington, onde o casal casou e vive, existe o equivalente a um regime de bens adquiridos. Ou seja, neste cenário, os dois continuariam a ser os maiores acionistas da Amazon, mas Bezos perderia força dentro da empresa que fundou.

Se Jeff e MacKenzie dividirem a meio a fortuna que é atribuída ao multimilionário, Bezos, apesar de continuar a ser das pessoas mais ricas do mundo, vai continuar como um dos mais ricos. Se for esta a solução, é MacKenzie que sobe para o topo de uma lista: a das mulheres mais ricas do mundo.

O casal também sempre foi conhecido pelos atos de filantropia, tendo já doado milhões de dólares para projetos de caridade e tendo prometido, em setembro de 2018, que iria doar dois mil milhões de dólares (cerca de 1,73 mil milhões de euros) para causas sociais. A declaração conjunta do antigo casal refere que veem “ótimos futuros” em projetos, podendo ser uma referência quanto a esta promessa. Contudo, até ao momento, nem a Amazon, nem o casal, avançam mais informações.

A CNBC avança que ambos podem ter chegado a um acordo em que, ou Bezos adquiriu a percentagem das ações a que MacKenzie tinha direito, ou então outro tipo de solução em que MacKenzie passa a deter as ações, mas o atual presidente executivo da Amazon mantém o atual poder de voto como acionista. Contudo, o mesmo meio avança que os detalhes de qualquer acordo podem nem chegar a ser públicos, à semelhança de outros casos de divórcio que podem ter este impacto. “[Pela declaração] Tiveram tempo para se preparar, presumo”, refere o jurista americano Bernard Clair, especialista nestes casos,

Jeff Bezos, continua, para já, a ser a pessoa mais rica do mundo, segundo o ranking da Forbes, com uma fortuna estimada em 137,1 mil milhões de dólares (cerca de 112 mil milhões de euros). Em segundo está Bill Gates, o fundador da Microsoft, casado com Melinda Gates também há 25 anos, com uma fortuna estimada de 94,9 mil milhões de dólares (cerca de 82 mil milhões de euros).

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