Sporting

Nani, o filho que sempre regressou a casa, chegou aos 100 jogos no Campeonato

Extremo português assinalou frente ao FC Porto o jogo 100 na Primeira Liga. Nani, o filho que sempre regressou a casa mesmo não sendo pródigo, teve uma proposta da China mas deve ficar.

Depois de deixar em Alvalade em 2007, Nani esteve vários anos no Manchester United, voltou ao Sporting e ainda passou por Fenerbahçe, Valência e Lazio

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Qualquer dia em que se assinale uma marca relevante é especial. Para um jogador de futebol, qualquer dia em que se chegue ao jogo 100 numa competição, sempre com a mesma camisola vestida, é especial. Ora, este sábado, Nani chegou à centésima partida na Primeira Liga – o que significa também que chegou aos 100 jogos no Campeonato pelo Sporting, já que nunca representou outro clube em Portugal. E se o dia, por si só, já era especial pela marca redonda, tornou-se ainda mais memorável por ser dia e tarde de clássico. Faltaram, no caso do internacional português, os golos.

O extremo português de 32 anos, atualmente capitão do Sporting, foi titular na equipa de Marcel Keizer que este sábado recebeu o FC Porto e jogou os 90 minutos no apoio a Bas Dost, sempre em constante ligação com Bruno Fernandes, Wendel e Diaby, na toada ofensiva com vários elementos que o treinador holandês tem colocado em campo desde que chegou a Alvalade. Alvalade que, por sua vez, é a casa que viu Nani nascer e crescer para o futebol – português e internacional – e já testemunhou dois regressos do jogador.

Depois de ser lançado por José Peseiro em 2005, na primeira passagem do treinador português pelo Sporting, Nani saiu para o Manchester United em 2007, onde se juntou a Cristiano Ronaldo naquela que foi então a maior transferência de sempre dos leões (atualmente ainda é a terceira). O primeiro regresso aconteceu em 2014 e durou apenas uma temporada – o extremo conquistou uma Taça de Portugal, título que já tinha alcançado em 2006/07, e relançou a carreira, aceitando no final da época a proposta dos turcos do Fenerbahçe. Passou pelo Valência depois de sair da Turquia e ainda esteve um ano emprestado aos italianos da Lazio, até aceitar o convite feito por Sousa Cintra, durante o verão, para voltar ao Sporting e ajudar a recuperar uma equipa em período de reconstrução. Chegou a custo zero, assinou até 2020 e sem cláusula de rescisão.

Tirando o desentendimento com José Peseiro numa fase embrionária da temporada, que o deixaram fora das opções durante um jogo, Nani tem assumido a liderança do balneário e é agora opção inequívoca de Marcel Keizer num dos corredores do ataque. Talvez por isso seja quase certo que o extremo permaneça em Alvalade depois do final do mercado de transferências de janeiro – apesar da existência de uma proposta de um clube chinês, que seria financeiramente vantajosa para o internacional português. Como os leões só teriam direito a 60% do valor da transferência (a percentagem restante do passe pertence ao Valência, de onde chegou) e Nani tem atualmente uma importância maior no cerne do plantel leonino, dentro e fora das quatro linhas, é considerado imprescindível.

O extremo português, campeão da Europa com a Seleção Nacional em 2016, é o único jogador na equipa do Sporting a ter 100 jogos no Campeonato e atingiu essa marca num clássico sem golos com o FC Porto. De leão ao peito, Nani só conquistou duas Taças de Portugal: está agora a oito pontos da liderança, no quarto lugar, e a ver por um canudo a possibilidade de vencer já esta temporada o título nacional que escapa há 17 anos ao Sporting.

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