Rui Rio seguiu a velha máxima de que a melhor defesa é o ataque. Na intervenção inicial do Conselho Nacional — onde defendeu a moção de confiança à sua liderança — o presidente do PSD atacou de forma dura os seus opositores. As primeiras palavras foram logo para os que se organizaram para o depor, relativamente aos quais quis vincar uma distância ética: “Nunca andei em manobras de corredores parlamentares ou jornalísticos, conspirando contra quem é legitimamente eleito“. O ataque mais violento estaria guardado para Luís Montenegro, que está a 500 metros do local do Conselho Nacional. O antigo líder da bancada parlamentar do PSD tinha acusado Rui Rio de ter tido “medo” ao não convocar diretas, mas o presidente social-democrata contra-atacou perante os conselheiros: “Não foi seguramente a mim que me faltou a coragem. Faltou, sim, a quem há um ano atrás, na altura própria, não teve o arrojo de se assumir, poupando o PSD a este espetáculo pouco dignificante que estamos a dar aos portugueses.”

Mais tarde, Rio seria ainda mais duro, lembrando que só sabe ganhar eleições, ao contrário de Luís Montenegro: “Há uma coisa que sempre me faltou e ainda estou à espera, que é perder eleições. Enquanto que os que me desafiam têm o desafio inverso: Estão à espera de conseguir ganhar uma eleição pela primeira vez na vida“. Foi muito aplaudido após esta farpa ao seu adversário. O presidente do PSD lembrava assim que Luís Montenegro perdeu as eleições para a câmara municipal de Espinho por duas vezes, tendo também perdido eleições para a distrital de Aveiro. Rui Rio acrescentou ainda que “muito menos seria capaz de boicotar a atividade de quem foi democraticamente escolhido para trabalhar, para no momento seguinte reclamar.”

“Costa, se for educado, agradece a alguns companheiros nossos”

O presidente do PSD acusa ainda os críticos de estarem a fazer um favor ao primeiro-ministro e ao PS. Rui Rio lamenta que tentem arrastar o partido para uma “luta interna que, necessariamente (…) vai dividir [o PSD] e deixar os adversários [do partido] a fazer campanha eleitoral sozinhos”. Para Rio “a sessão do Conselho Nacional que o PSD tem de realizar por força da confusão e da instabilidade gerada é, ela própria, um espetáculo de prime time para António Costa que, se for um homem educado, tem de agradecer a alguns companheiros nossos pelo serviço de excelência que lhe estão a prestar”.

Além disso, garante o líder, o PSD está a perder votos com toda esta guerrilha interna. A instabilidade do partido, diz Rio, é um “aliciante convite ao nosso eleitorado para caminhar para a abstenção e para alternativas partidárias à nossa direita”.

Apesar disso, Rio garantiu estar ainda em condições de “construir uma verdadeira alternativa à governação socialista”, mas avisou que “com terramotos políticos como este que estamos a assistir, não será possível atingir o que está ao nosso alcance”. Avisou também os conselheiros que sem “maturidade e sentido de responsabilidade (…) a derrota será certa” nas legislativas de 2019.

Passos e Soares para desvalorizar as (más) sondagens

Rui Rio atacou depois o argumento do partido “estar mal nas sondagens” e disse que essa nunca podia ser a “principal razão” do “repto para desertar” que lhe fizeram. O presidente do PSD lança uma suspeição sobre as pesquisas que são feitas, dizendo: “Todos ou quase todos sabemos como são feitas as sondagens que por aí vão circulando”. Mais do que isso, Rio diz que se o partido as fosse “seguir, o PSD de Pedro Passos Coelho teria tido uma derrota estrondosa em 2015”, mas “aconteceu precisamente o contrário.”

O líder do PSD lembrou ainda que “em 1986 quando Soares foi eleito Presidente da República, as sondagens davam-lhe na campanha eleitoral uns módicos 8%”, dando depois o seu próprio exemplo. Rio recordou que nas primeiras eleições que concorreu como autarca na câmara do Porto “verificou-se logo” a sua “fraca aptidão para ganhar sondagens”.

Rui Rio disse ainda que o ponto de partida da sua direção nunca foram as sondagens, mas mais o fraco resultado autárquico do partido: “Há 11 meses, quando esta Comissão Política tomou posse, o ponto de partido não eram os inquéritos de opinião feitos de forma mais ou menos séria. O ponto de partida era e são os resultados e esses deram-nos votações de 11% nos principais municípios do país e um resultado igualmente baixíssimo à escala nacional”

No fim do discurso, Rio disse que está preparado para o resultado, seja ele qual for: “Da minha parte, limito-me agora a esperar e, no fim, como sempre respeitarei democraticamente as decisões”.