O Governo britânico disse esta sexta-feira ser “completamente inaceitável” considerar o território de Gibraltar como uma “colónia britânica”, como refere um documento da União Europeia (UE) que propõe medidas para após o Brexit.

É completamente inaceitável descrever Gibraltar dessa maneira. Gibraltar é parte integrante da família do Reino Unido, o que não mudará como resultado de nossa saída da União Europeia”, disse um porta-voz oficial da primeira-ministra britânica, Theresa May

O documento da UE propõe que cidadãos britânicos possam viajar sem visto no espaço Schengen por 90 dias num período de 180 dias. O texto inclui Gibraltar na lista dos territórios ultramarinos britânicos, juntamente com as Ilhas Cayman, as Malvinas e Anguila.

“Gibraltar é uma colónia da Coroa Britânica. Existe uma disputa entre a Espanha e o Reino Unido relativamente à soberania de Gibraltar, um território para o qual uma solução deve ser encontrada à luz das resoluções e decisões relevantes das Nações Unidas”, refere a nota.

Questionado esta sexta-feira na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia sobre esta referência a Gibraltar, o porta-voz do executivo comunitário Alexander Winterstein afirmou tratar-se de “um documento do Conselho”, pelo que não iria comentar, escusando-se, perante a insistência dos jornalistas, a “entrar nesse território” temático.

O Acordo de Saída do Reino Unido da UE inclui um protocolo relativo a Gibraltar que garante a circulação dos cidadãos que residam em qualquer dos lados da fronteira e a cooperação entre Londres e Madrid. Porém, o governo espanhol continua a reivindicar o controlo do pequeno enclave de sete quilómetros quadrados com 32.000 habitantes e com fronteira no sul de Espanha, o qual foi está sob a coroa britânica desde o início do século XVIII, no âmbito do tratado de Utreque que pôs fim à guerra da Sucessão de Espanha.