A antecâmara deste primeiro dérbi ficou marcada por uma espécie de guerra surda que se tornou pública através das intervenções públicas de Frederico Varandas, presidente do Sporting, que acabaram por não ter resposta por parte do homólogo, Luís Filipe Vieira. As críticas já tinham começado na Final Four da Taça da Liga, em Braga, com o líder leonino a visar as declarações do número 1 encarnado a propósito da arbitragem e do VAR na meia-final com o FC Porto, seguindo depois num editorial assinado no jornal do clube e numa entrevista à RTP3. Sempre sem resposta. Até hoje, através de uma… “não resposta”. 

A máscara de André Pinto que não escondeu o aparelho de João Félix (a crónica do Sporting-Benfica)

Ao longo da semana, e mesmo sabendo que os responsáveis leoninos já tinham decidido ficar num camarote no jogo desta quarta-feira a contar para a primeira mão da meia-final da Taça de Portugal na Luz, os dirigentes benfiquistas foram sempre mantendo uma espécie de tabu em relação ao local onde iriam assistir ao dérbi. Luís Filipe Vieira, esse, deveria ficar no balneário, como já aconteceu noutras ocasiões. Chegou a Alvalade no autocarro da equipa, foi o primeiro a sair da viatura e a atravessar o hall VIP para aceder ao local reservado ao conjunto visitante e não mais foi visto a não ser já depois das conferências de imprensa dos dois técnicos, quando passou pela zona mista. Aí, parou para uma curta declaração aos jornalistas.

Varandas volta aos emails. “Vi acusarem quem tinha roubado e divulgado, não vi falar ou negar o conteúdo”

“Quero apenas deixar umas palavras para os benfiquistas. Dizer-lhes que estamos imensamente gratos por estarem aqui neste estádio a acompanhar a equipa e por tudo o que fizeram a apoiar a equipa. Dizer-lhes que este é o Benfica que não se verga, que dia a dia vai construindo o seu futuro. Mais importante que isso, acreditem que há um Benfica com identidade própria, com identidade à Benfica, e é isso que nos satisfaz. Mas hoje foi só mais um jogo. Treino a treino, vamos chegar ao objetivo. Ninguém nos vai vergar, sabemos o terreno que pisamos. Acreditem que os reforços estão mesmo no Seixal. É importante que todos os benfiquistas estejam unidos neste tema. O Seixal é mesmo o futuro do Benfica. Não vamos abdicar da nossa estratégia que é construir o Benfica do futuro e um Benfica com dimensão europeia”, referiu de forma ininterrupta.

Depois, ao responder à primeira pergunta, fugiu a qualquer picardia entre rivais e a qualquer resposta ao homónimo verde e branco. “Desculpe, só vim aqui para falar do Benfica e para agradecer à massa associativa do Benfica. O resto… Eu preocupo-me só com o Benfica, obrigado”, e saiu na direção da zona onde se encontrava o autocarro da comitiva encarnada.

Parecendo apenas uma intervenção sem grande sumo, Vieira conseguiu apontar a três objetivos muito concretos: 1) destacar a formação do Benfica em Alvalade, na casa do Sporting, a quem roubou nos últimos tempos esse “título” de clube mais formador ou que pelo menos melhor consegue aproveitar os talentos que saem das camadas jovens (de recordar que, na passada quarta-feira em Setúbal, os leões entraram com um onze sem jogadores da Academia 566 jogos depois), ao mesmo tempo que falou da falta de contratações neste mercado de inverno apesar das saídas de Ferreyra, Castillo, Alfa Semedo e Lema; 2) deixar um alerta para os obstáculos que a equipa terá pela frente até ao final da temporada, recorrendo para isso à ideia do “sabemos o terreno que pisamos”; 3) responder a Frederico Varandas dizendo que se preocupa apenas com o Benfica.