O líder e fundador do autoproclamado Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi, sobreviveu a uma tentativa de golpe na liderança daquele grupo terrorista, levada a cabo por um grupo de militantes estrangeiros.

A notícia foi dada em primeira mão pelo The Guardian na passada quinta-feira e aprofundada pelo mesmo jornal já no domingo, com relatos de diferentes fontes. Estes apontam para a existência de combates internos no Estado Islâmico desde setembro de 2018 e referem ainda que, já em janeiro de 2019, o recrudescer dessas confrontações levou à fuga de Abu Bakr al-Baghdadi, que ainda assim permanecerá na Síria.

“Vi-o com os meus próprios olhos (…). Ele estava em Keshma e em setembro os infiéis tentaram capturá-lo”, disse um Jumah Hamdi Hamdan, homem de 53 anos que conseguiu fugir de Keshma, uma pequena localidade no Este da Síria. “Os combates foram muito intensos, havia túneis entre as casas. Eles [os insurretos do Estado Islâmico] eram sobretudo tunisinos e morreram muitas pessoas.”

Também uma fonte do exército leal a Bashar al-Assad confirmou aqueles confrontos ao The Guardian. “Foi uma muito dura e eles excomungaram os derrotados” disse um comandante sírio identificado como Adnan Afrini. “Começou a meio de setembro e foi uma tentativa bem séria de matá-lo ou capturá-lo.”

Segundo o The Guardian, o presumível líder da revolta interna contra Abu Bakr al-Baghdadi é Abu Muath al-Jazairi, um combatente estrangeiro do Estado Islâmico referido como um “veterano”, que tem agora a cabeça a prémio.

De acordo com os relatos recolhidos por aquele jornal, Abu Bakr al-Baghdadi terá escapado de Keshma durante os confrontos e conseguido passar para Baghouz, uma aldeia próxima e que neste momento está a ser alvo de uma investida do exército sírio. Diferentes relatos apontam para que ali estejam entre 400 a 1000 soldados do Estado Islâmico.

Se as tropas de Bashar al-Assad ali conseguirem entrar em Baghouz, é possível que não encontrem o fundador e líder do Estado Islâmico, já que os relatos avançados pelo The Guardian indicam que este fugido pelo deserto após ter sobrevivido à tentativa de golpe no início de janeiro. Ainda assim, é possível que ali encontrem vários dos estrangeiros que se pensa estarem sob sequestro do Estado Islâmico há vários anos, entre os quais o fotojornalista britânico John Cantlie. Este está desaparecido desde novembro de 2012 e desde então tem aparecido em vários vídeos propagandísticos do Estado Islâmico, onde defende aquele grupo terrorista e ataca os seus inimigos.