Não é habitual uma televisão estatal de um país mostrar algo tão imaginativo e ameaçador quanto edifícios que o seu país atacaria caso procedesse a uma ofensiva nuclear. A comunicação social estatal russa, contudo, é muito peculiar e no último domingo, 24 de fevereiro, exibiu um mapa com uma lista daqueles que seriam os edifícios-alvo do seu país, em caso de ataque nuclear aos Estados Unidos da América.

Os potenciais alvos mencionados incluíam o Pentágono — a sede do Departamento da Defesa norte-americano, um edifício com 600 mil metros quadrados onde trabalham mais de 20 mil pessoas — e a casa de campo e base militar Camp David, que serve de retiro presidencial aos líderes do país desde os anos 1940.

Outros edifícios que seria estratégico a Rússia atacar, em caso de ofensiva nuclear, seriam o centro de treino militar encerrado em 1998 Fort Ritchie (em Maryland), a base da Força Área McClellan na Califórnia (fechada em 2001) e a base de comunicações navais do estado de Washington Jim Creek.

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Pouco habitual até para os “padrões bélicos” da comunicação estatal russa, a peça, apresentada por Dmitry Kiselyov e vista por muitos como uma ameaça velada aos norte-americanos, referia ainda que a Rússia está a desenvolver “um missíl hipersónico” que conseguiria atingir esses alvos “em menos de cinco minutos” caso fosse lançado por submarinos russos.

Além de apresentar o mapa com os potenciais alvos, Dmitry Kiselyov afirmou: “Por agora, não estamos a ameaçar ninguém, mas se houver algum desenvolvimento a nossa resposta será imediata”. Kiselyov é descrito pelo The Guardian como um apresentador “próximo do Kremlin” e alguém com um “forte tom anti-americano, que uma vez disse que Moscovo podia transformar os EUA em cinza radioativa”.

A peça apresentada pela televisão estatal russa foi exibida num momento de tensão crescente entre os dois países, que já levou o presidente russo Vladimir Putin a dizer que o seu país está preparado para lidar com uma crise “como a dos mísseis em Cuba” se os EUA a desejarem. Putin também afirmou que não quer uma corrida ao armamento ou uma nova Guerra Fria, mas tem alertado para o possível crescimento do armamento militar e nuclear dos Estados Unidos da América.

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Questionado sobre este momento televisivo, o Governo russo, citado pelo The Guardian, afirmou que “não interfere na política editorial da televisão estatal” do seu país.