CGTP

CGTP: aumento do salário mínimo permitia reduzir diferenças entre homens e mulheres

Começa esta segunda-feira a Semana da Igualdade, que espera contar com mais de 1.000 iniciativas contra a disparidade salarial. CGTP defende subida do salário mínimo para reduzir desigualdades.

Segundo a CGTP, cerca de 650 mil trabalhadores foram vítimas de assédio sexual, sendo que 6,1% eram mulheres e 3,4% eram homens

Inacio Rosa/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O secretário-geral da CGTP considerou esta segunda-feira, em Coimbra, que mais importante do que garantir uma maior percentagem de mulheres nas administrações das empresas seria aumentar o salário mínimo e esbater as diferenças relativas ao salário real.

“O Governo teve agora uma boa oportunidade para reduzir as questões das desigualdades, nomeadamente em relação ao salário mínimo nacional. Caso tivesse assumido a proposta da CGTP de 650 euros para o salário mínimo nacional, teria reduzido a desigualdade [entre homens e mulheres] em 1,6 pontos percentuais”, afirmou Arménio Carlos, que falava à agência Lusa em Coimbra, no âmbito de uma ação da Semana da Igualdade, iniciativa promovida pela intersindical que arranca esta segunda-feira e termina na sexta-feira.

A questão do salário mínimo nacional ganha importância no contexto da igualdade entre homens e mulheres porque 27% das mulheres em Portugal “auferem o salário mínimo”, contra cerca de 17% dos homens, sustentou. Outra área onde é necessário avançar, notou, está relacionada com o salário real dos trabalhadores – “o salário base mais outras matérias de expressão pecuniária” – em que a diferença entre mulheres e homens se situa na ordem dos 18%.

É muito e não se justifica. Não se justifica que uma pessoa que faz o mesmo trabalho esteja a ganhar 18% menos pelo facto de ser mulher. Não faz sentido e isso é mais importante do que o Governo estar obcecado e concentrado por haver uma maior percentagem de mulheres nas administrações das empresas, [quando centenas de milhares de trabalhadoras] continuam a ser discriminadas todos os dias”, criticou

De acordo com Arménio Carlos, a Semana da Igualdade promovida pela CGTP vai este ano ter “uma abrangência superior” à do ano passado, estando previsto a intersindical estar presente em 1.250 locais de trabalho e realizar 32 iniciativas públicas até sexta-feira.

“Não há resposta para trabalhadoras e trabalhadores se não se encontrar estabilidade e segurança no emprego, se não se distribuir riqueza de outra maneira. Isto tem tanta ou mais importância num quadro em que se fala da desaceleração da economia”, salientou Arménio Carlos, que falava numa conferência conjunta com o Sindicato de Hotelaria do Centro.

O responsável do Sindicato de Hotelaria do Centro, António Baião, chamou a atenção para “um contrassenso” no setor, em que se registam aumentos das taxas de ocupação e dos fluxos de visitantes, mas em que os proveitos não se refletem nos salários dos trabalhadores.

Nesse sentido, este sindicato vai realizar uma campanha de sensibilização junto dos trabalhadores até ao final da época balnear, nas capitais de distrito e zonas turísticas da região Centro, por forma a que seja dado “um salto qualitativo nos salários dos trabalhadores”.

CGTP inicia Semana da Igualdade que vai ter mais de 1.000 iniciativas

A CGTP-IN inicia esta segunda-feira a Semana da Igualdade, que incluirá mais de 1.000 iniciativas nos locais de trabalho e mais de 20 ações de rua, sob o lema “Avançar na Igualdade — Com Emprego de Qualidade”.

Neste primeiro dia da iniciativa, o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, terá participado, ao início da tarde, no refeitório dos Hospitais da Universidade de Coimbra, num plenário de trabalhadores do setor da alimentação, onde terá sido feita uma reflexão sobre a área das cantinas e refeitórios, nomeadamente sobre os salários deste setor, maioritariamente composto por mulheres.

Estão agendados para esta semana plenários, debates e reuniões com trabalhadores e distribuição de documentos alusivos ao tema em empresas do Continente e Regiões Autónomas.

Para dia 8, dia da Mulher, estão previstas iniciativas públicas e ações de rua na maioria dos distritos do país, entre as quais cordões humanos, marchas, concentrações e tribunas públicas.

Segundo a Intersindical, as mulheres trabalhadoras estão cada vez mais sujeitas à desregulação da sua vida laboral, com horários longos, adaptabilidades, bancos de horas, horários concentrados, laboração contínua, com implicações negativas na organização da sua vida pessoal e familiar e na sua saúde.

Cerca de 915 mil mulheres trabalham ao sábado, mais de 538 mil trabalham ao domingo, 382 mil trabalham por turnos e 162 mil à noite, o que lhes dificulta a conciliação do trabalho com a família, referiu a CGTP num documento de análise. No mesmo documento, a Inter alertou para as consequências da intensificação dos ritmos de trabalho e dos longos horários para a saúde.

As mulheres trabalhadoras continuam a ser as mais afetadas pelas doenças profissionais que, segundo a OIT, matam seis vezes mais trabalhadores a nível mundial que os acidentes de trabalho e deixam incapacitados milhares de trabalhadores”, salientou.

Em Portugal as mulheres trabalhadoras representam 70% do total de casos de doenças profissionais certificada e a maioria das incapacidades resulta de lesões músculo-esqueléticas. Além de continuarem a ganhar menos que os homens e ocuparem a maioria dos empregos precários, as mulheres são também as principais vítimas de assédio patronal.

Segundo a CGTP, mais de 850 mil trabalhadores já foram vítimas de perseguição e assédio no emprego e cerca de 650 mil foram vítimas de assédio sexual, sendo que 6,1% eram mulheres e 3,4% eram homens. Estes são, entre outros, temas a abordar pela CGTP-IN na Semana da Igualdade.

[Artigo atualizado às 17h48 de segunda-feira]

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