É certo que no capítulo do preço e do luxo, no Salão de Genebra, o Bugatti La Voiture Noire tem um lugar à parte. Mas se colocarmos de lado o requinte e as mordomias e nos concentrarmos exclusivamente nas emoções e nas sensações, então o Aston Martin Valkyrie é quem mais brilha.

De linhas curiosamente fluidas e a fazer recordar um F1 moderno, só que integralmente carenado e com espaço para dois adultos, o Valkyrie promete ser a “coisa” mais rápida em estrada, mas também em pista. Aliás, esta semelhança com os bólides que dominam a categoria rainha do desporto automóvel, a Fórmula 1, e o modelo mais exuberante e potente da Aston Martin não surge por acaso, ou não fosse ele fruto de uma colaboração entre a Aston Martin e a equipa de F1 Red Bull Racing.

Este é um projecto em que a colaboração da Red Bull foi fundamental, bem como do seu projectista Adrian Newey, que concebeu o chassi, a carroçaria e todo o pack aerodinâmico. E sendo Newey – o homem que deu quatro títulos consecutivos à Red Bull e a Sebastian Vettel – um mago da aerodinâmica, é natural que o Valkyrie surpreenda neste capítulo.

O seu motor é potente, com 1.176 cv, mas esta cavalagem sai sobretudo do imponente e com um roncar delicioso V12 com 6,5 litros atmosférico, capaz de gritar qual Pavarotti até às 11.100 rpm, regime só possível de ser atingido por uma unidade motriz que tenha nascido como motor de competição. Com 1.114 cv a saírem do V12 e 162 cv do motor eléctrico concebido pela Rimac – que desenvolveu um sistema Kers similar aos que equipam os F1 –, o Valkyrie é uma arma terrível para as rectas, mas sobretudo para as curvas. E também para as travagens, uma vez que o seu peso reduzido permite-lhe prometer maravilhas nesta matéria.

Em Genebra, além de surpreender com a versão de estrada, mais discreta e civilizada, mas não muito, o Valkyrie exibe igualmente perante os olhares curiosos a versão AMR Track Performance, de que apenas vão ser fabricadas 150 unidades. Se não acredita que é capaz de deliciar mesmo quem não aprecia desportivos, o melhor é ver o vídeo: