O FC Porto somou o sétimo jogo consecutivo em Inglaterra sem marcar nenhum golo. Na verdade, os dragões não comemoram um golo na terra do chá das cinco, de Sua Majestade e dos Beatles, desde 2008/09, temporada em que o argentino Mariano González marcou em Old Trafford frente ao Manchester United. De lá para cá, o FC Porto não voltou a colocar a bola nas redes de qualquer baliza inglesa. Mais do que isso, a equipa de Sérgio Conceição terminou um jogo sem assinar qualquer golo pela primeira vez na presente edição da Liga dos Campeões — sendo que, de forma quase irónica, a última vez que os dragões tinham saído em branco de um encontro da Champions tinha sido precisamente em Anfield, na época passada.

Esta foi também a pior derrota do FC Porto esta temporada, já que os dragões ainda só tinham perdido por um golo de diferença. O resultado da primeira mão dos quartos de final deixa a equipa portuguesa em maus lençóis no que toca às ambições de chegar às meias-finais da Liga dos Campeões e obriga a uma noite quase perfeita no Dragão, na próxima semana. As estatísticas, porém, não abonam a favor dos azuis e brancos: nas quatro ocasiões em que o FC Porto perdeu a primeira mão de uma eliminatória europeia por dois golos de diferença, foi sempre eliminado (Hamburgo em 1975/76, Standard Liège em 1981/82, Barcelona em 1985/86 e Borussia Dortmund em 2015/16). Já o Liverpool, por outro lado, nunca foi eliminado depois de vencer por dois no primeiro jogo (Petrolul em 1966/67, Eintracht Frankfurt em 1972/73, Dynamo Dresden em 1972/73, Crusaders em 1976/77, Levski em 2003/04, Inter Milão em 2007/08 e Manchester United em 2015/16).

Alex Telles, que esteve em dúvida até ao último momento depois de se ter lesionado contra o Sp. Braga há pouco mais de uma semana, acabou por ser titular e cumpriu os 90 minutos da esquerda da defesa. Depois de uma exibição de enorme sacrifício e entrega mas onde foram visíveis as limitações físicas, o lateral brasileiro reconheceu que teve uma “semana difícil”. “Tratamento dia e noite, por vezes sem poder sequer treinar. Mas tudo vale para poder jogar. É normal jogar-se com dores, acontece a todos, mas estive em campo com muito gosto. O nosso objetivo de dar o máximo foi concretizado, com um resultado negativo, mas ainda há a segunda mão”, explicou Alex Telles.

“Estamos vivos. Não é um resultado positivo, não era o que queríamos, mas lutámos e demonstrámos que somos fortes, frente a uma equipa poderosa e muito forte em casa. Sabíamos das dificuldades. Estamos tristes pelo resultado mas vivos na eliminatória. Na fase passada também perdemos na primeira volta e depois demos a volta. Neste grupo ninguém desiste. Estamos vivos e vamos à procura do resultado em nossa casa”, acrescentou o internacional brasileiro à flash interview da Eleven Sports.

Já Sérgio Conceição, que na antevisão tinha recordado que as equipas “não se medem aos milhões”, recordou que Liverpool e FC Porto estão ainda “a meio de uma eliminatória”. “Estamos no intervalo. Apelo já ao apoio incondicional dos adeptos, agradecer aos que vieram aqui e aos que sofreram em casa. Precisamos de todos no Dragão porque isto ainda não acabou. Não deixámos de ter três ou quatro ocasiões, se fossem mais rigorosos teria havido golo para o FC Porto hoje. Não foi, estamos a perder 2-0. No fim dos 180 minutos faremos as contas”, acrescentou o treinador dos dragões, que disse ainda que sentiu “que o balneário percebeu” que fez “um jogo competente”.

“Não estou a dizer que a vitória do Liverpool não seja justa, a única equipa que não perdeu aqui na Champions este ano foi o Bayern. Sabemos o poderio do Liverpool, mas acho que está em aberto. Tentámos dificultar ao máximo no que o Liverpool é forte (…) Sofremos um golo de uma bola prensada, porque entrámos bem no jogo. O segundo golo nasce de um erro individual. Se virem bem, a facilidade com que fazem esse golo não é normal, estando nós em superioridade dentro da grande área”, explicou Sérgio Conceição.

O panorama do FC Porto está difícil mas não está impossível. A ideia sublinhada por Alex Telles, quando explicou que “neste grupo ninguém desiste”, foi corroborada pelos quase três mil adeptos que estiveram em Anfield Road. E prova disso foi o momento já após o apito final, em que equipa e adeptos se juntaram e apontaram forças à segunda mão da próxima semana, no Dragão.