As chuvas estão a abrandar no Norte de Moçambique, numa altura em que apenas um rio está acima do nível de alerta, disseram esta terça-feira fontes das autoridades à Lusa.

Apesar de continuar a haver campos alagados e sete vias de comunicação cortadas, não há registo de inundações a isolar população após o ciclone Kenneth.

Decorrem operações de assistência humanitária com distribuição de alimentos e outros mantimentos, que esta terça-feira pelo segundo dia voltam a contar com apoio aéreo – na segunda-feira foi feito apenas um voo devido a um agravamento das condições meteorológicas.

“A partir do dia 01 e 02 poderemos ter um abrandamento de chuvas” que, no entanto, podem ainda ser “localmente fortes nos distritos da faixa costeira, como Palma, Quissanga, Macomia e Pemba”, referiu Maria Angelina Ximango, diretora provincial do serviço de meteorologia.

As condições atmosféricas derivadas da passagem do ciclone ainda influenciam a região, “com ventos do mar e humidade. É uma situação de grande complexidade, que exige grande poder de acompanhamento e tem variações em curto espaço de tempo”.

A capital da província de Cabo Delgado, Pemba, já registou desde a passagem do ciclone Kenneth, na quarta-feira, quase 500 milímetros de precipitação acumulada, ou seja, o equivalente a duas épocas chuvosas – que vão de novembro a abril.

Ao nível hidrológico, “o rio Megaruma é o único com caudal acima do nível de alerta”, mas também a baixar, referiu Eurico Felisberto Saíze, diretor dos serviços hidrológicos do Norte de Moçambique.

O ciclone Kenneth e as cheias que se seguiram já provocaram 38 mortos e há cerca de 168.000 pessoas afetadas, segundo dados oficiais.

O primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário anunciou na segunda-feira durante uma conferência de imprensa em Pemba que os números podem subir, dado que estão por fazer levantamentos em zonas remotas em que as autoridades ainda não conseguiram chegar.

Número de mortes devido ao ciclone pode subir além dos atuais 38, diz primeiro-ministro moçambicano

A rede de comunicações da região é fraca, com uma única estrada asfaltada a cruzar Cabo Delgado de Norte a Sul, sendo o resto constituído por vias de terra batida.

Com a passagem do ciclone a situação piorou e sete vias permanecem cortadas, entre as quais as que permitem chegar aos cais de embarque para a ilha do Ibo, no arquipélago das Quirimbas, onde há 15.000 afetados.

Helicópteros do Programa Alimentar Mundial (PAM) estão esta terça-feira a carregar ajuda alimentar (biscoitos de alto valor energético) para a ilha.