Com os braços colados ao corpo, Adília Lopes apresentou a sua composição sobre Sophia. “Vou ler um texto pequeno”, anunciou na Fundação Calouste Gulbenkian, onde decorre até sexta-feira um colóquio dedicado à autora, que sempre apontou como uma das suas primeiras influências. E cumpriu.

Em poucos minutos, a poeta, que participou no primeiro painel do evento, esta quinta-feira, contou que conheceu Sophia de Mello Breyner Andresen quando tinha dez anos, na livraria Parceria António Maria Pereira, na Baixa lisboeta. “Nessa livraria havia um andar superior para os livros infantis. Foi lá que encontrei o livro Noite de Natal, com ilustrações de Maria Keil.” O exemplar, que Lopes ainda guarda, foi assinado por Sophia — apenas “Sophia” — a tinta azul.

“No conto reconheci o meu amor pelo Natal, pela casa, pela natureza”, admitiu Lopes, e que talvez tenha também descoberto ali o amor pela literatura. É que os textos de Sophia davam-lhe vontade de escrever, e Adília Lopes quis ser escritora como a autora que encontrou no segundo andar de uma livraria lisboeta. A escritora dos poemas sem “nada de coisas farfalhudas, nada de aldrabices”.

A ligação que criou aos dez anos com Sophia de Mello Breyner nunca desapareceu. Na Gulbenkian, com o seu “texto pequeno” nas mãos, Adília Lopes admitiu que, “quando tudo corre mal”, é a Sophia que volta. A ela e a Bach. Um dos seus poemas favoritos é dedicado a Maria Helena Vieira da Silva, que era amiga de Sophia. “Quando quero escrever, releio esse poema”, e também o “Retrato de Mónica”, “poemas inspiradores”.

“Sophia acompanha-me desde a infância”, admitiu Lopes. “Dá-me alento.”

O II Colóquio Internacional Sophia de Mello Breyner Andresen decorre de 16 a 17 de maio na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa. A entrada é livre