Pedro Santana Lopes

Técnicos de socorro questionam uso de helicóptero para Santana e falam em “discriminação”

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A Associação de Proteção e Socorro alega que o INEM privilegiou Santana. Técnicos dizem que vítimas semelhantes não têm direito a helicóptero. Reação surge depois de críticas ao INEM.

O INEM está a ser criticado no Facebook por ter transportado o líder do Aliança de helicóptero quando apenas apresentava ferimentos ligeiros

PAULO NOVAIS/EPA

A Associação de Proteção e Socorro (APROSOC) criticou esta quinta-feira o INEM por ter transportado Santana Lopes para o hospital de Coimbra de helicóptero, depois de o líder do Aliança ter sofrido um acidente de carro. Os técnicos de socorro dizem que o uso do helitransporte para Santana foi “discriminatório”, uma vez que o INEM não disponibiliza o mesmo tipo de assistência para vítimas que todos os anos sofrem acidentes semelhantes.

Num comunicado emitido através do Facebook, a APROSOC refere que “não se revê minimamente nos critérios de decisão de helitransporte da vítima em causa, por entender serem discriminatórios de inúmeras outras vítimas que todos os anos sofrem semelhantes acidentes e apresentam semelhantes queixas, e a quem o sistema não disponibiliza o mesmo tipo de assistência”.

A reação da APROSOC surge depois de o INEM ter sido bastante criticado no Facebook pelo uso do helicóptero para o transporte do ex-primeiro-ministro. Os internautas acusam o serviço de emergência de privilegiar Santana e questionam se o recurso ao helicóptero era realmente necessário, uma vez que o político apenas apresentava ferimentos ligeiros.

No Facebook do INEM, há quem pergunte, por exemplo, “quando foi a última vez que houve um helitransporte da A1, a menos de 20 km de um hospital central” e considere que “houve sim uma diferenciação tendo em conta quem era o ferido, e não o podem negar”. Há ainda utilizadores do Facebook que pedem a divulgação do áudio da chamada de auxílio relativa ao acidente.

Ainda no local do acidente, o comandante dos bombeiros de Pombal, Paulo Albano, admitiu que quer Pedro Santana Lopes, quer Paulo Sande, também envolvido no acidente, se tratavam de feridos ligeiros. A porta-voz do Instituto de Emergência Médica garantiu ao Jornal de Notícias que a decisão sobre o transporte de Santana foi tomada com base na “avaliação clínica feita pelas equipas médicas no local”.

Na quarta-feira, o INEM disse que tomou a decisão com base em motivos clínicos e recusou a ideia de ter havido tratamento especial para Santana. Em comunicado, o Instituto sublinhou que o serviço de cuidados de emergência médica pré-hospitalares é “universal, gratuito, e exige igualdade de tratamento para todos os cidadãos que se encontrem em território de Portugal Continental e que dele necessitem, independentemente da sua situação económica, social, cultural, das convicções filosóficas, religiosas ou políticas”.

No comunicado da APROSOC emitido esta quinta-feira, a associação lamenta ainda que Pedro Santana Lopes tenha estado “mais de uma hora no local do acidente”. “A vítima foi (segundo os relatos) rapidamente desencarcerada, e havia (segundo relatos) ambulâncias disponíveis para o transporte”, escreve a associação, sublinhado que não percebe o motivo da permanência de Santana no local.

O presidente do Aliança, Pedro Santana Lopes, e o cabeça de lista do partido às europeias, Paulo Sande, estiveram envolvidos num acidente de carro na quarta-feira, ao quilómetro 136 da A1, no sentido Norte-Sul. Inicialmente, Santana ficou encarcerado, depois de o carro capotar várias vezes, mas foi libertado pelos bombeiros. Já Paulo Sande saiu do carro pelo próprio pé. Esta quinta-feira, Pedro Santana Lopes recebeu alta hospitalar e deverá sair em breve do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

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