A auditora KPMG, uma das quatro mais influentes do mundo, vai ser multada em pelo menos 12,5 milhões de libras (cerca de 14,2 milhões de euros) por irregularidades no acompanhamento das contas da unidade londrina do Bank of New York Mellon. A própria empresa considera o valor da multa — um recorde em casos destes — “extravagante” e “gigantesco”, mas o regulador das auditoras no Reino Unido (a FRC) considera a multa adequada dada da natureza “verdadeiramente excecional” das irregularidades cometidas, que terão posto em risco os ativos dos clientes.

Segundo o Financial Times, a KPMG e um dos seus funcionários reconheceram terem cometido irregularidades — de forma deliberada — mas defendem-se dizendo que não esteve em causa qualquer ato criminal e que nenhum dos clientes do BNY Mellon perdeu dinheiro por causa do que foi feito. Quanto ao valor da multa, argumentam que em casos semelhantes as multas não ultrapassaram os 1,5 milhões de libras. Assim, foi criada uma comissão independente que vai decidir o valor exato da multa dentro de alguns dias, depois de ouvir as partes.

Em comunicado, embora discorde com o valor proposto da multa, a auditora reconheceu as irregularidades e manifestou-se “empenhada em cooperar com o regulador para dar a estes casos passados uma conclusão o mais rapidamente que seja possível”.

A KPMG tem sido duramente criticada por responsáveis políticos e reguladores pela sua reiterada participação em irregularidades financeiras não só no Reino Unido e nos EUA mas, também, em países como a África do Sul. Também em Portugal, a auditora foi recentemente condenada a pagar uma multa de três milhões de euros por “infrações especialmente graves” por, acredita o Banco de Portugal, a auditora ter tido conhecimento das perdas que existiam no balanço do BES Angola e o perigo que elas poderiam representar para a casa-mãe, o BES.

Este é um processo em que o Banco de Portugal acusa a consultora liderada por Sikander Sattar de não ter cumprido normas de auditoria em 2011 e 2012 e de omitir perdas identificadas na carteira de crédito do BESA (auditado pela KPMG Angola), nos dois anos seguintes. A empresa alegou, em sua defesa, que estavam em em causa duas empresas distintas (apesar de terem o mesmo presidente), que havia informação pública a que o banco central podia aceder e que só teve conhecimento das imparidades no BES Angola depois de o Estado angolano ter dado a famigerada garantia pública aos créditos do BESA.

Mas a entidade governada por Carlos Costa defendeu, entre outras coisas, que a auditora externa devia ter obrigado o BES a colocar nas contas de 2011 e de 2012 reservas de limitação de âmbito, ou seja, avisar que não detinha informação suficiente sobre a sua exposição ao BESA.