Depois de um arranque com três vitórias concludentes, o FC Porto ainda atravessou uma fase mais complicada no Campeonato, com derrotas na Luz e em Alvalade com um empate pelo meio em Oliveira de Azeméis. No entanto, ultrapassado que ficou esse período com os três encontros teoricamente mais difíceis disputados em apenas quatro jornadas, os azuis e brancos começaram a partir daí uma série de dez vitórias consecutivas que nem o inesperado desaire em Tomar condicionou e carimbaram o regresso às vitórias no Campeonato após somarem por triunfos as partidas com os principais rivais no Dragão (5-3 com o Benfica, 6-5 com a Oliveirense, 3-1 com o Sporting). Esta noite, com o Riba d’Ave, chegou a consagração.

A derrota do Sporting em Paço de Arcos um dia antes do triunfo dos azuis e brancos com o Valongo quase que colocou uma passadeira para a festa logo nesta penúltima jornada, que 24 horas antes já tinha lotação esgotada. E para ajudar ainda mais ao clima vivido neste encontro, o andebol tinha garantido na véspera a conquista do Campeonato. No entanto, apesar do bom início com 2-0 em apenas sete minutos com golos de Rafa e Cocco, o FC Porto teve sempre uma boa réplica por parte do Riba d’Ave, que reduziu por Miccoli aos 11′ antes de Poka fazer o 3-1 (14′) e Serôdio voltar a colocar a diferença na margem mínima (15′). Em cima do intervalo, Gonçalo Alves, que já tinha falhado um penálti, converteu um castigo máximo e fixou o 4-2 (23′).

No segundo tempo, depois de um arranque mais morno, Serôdio colocou de novo os visitantes no jogo com o 4-3 aos 35′ mas, logo de seguida, e após um livre direto desperdiçado na sequência da décima falta do Riba d’Ave, Cocco redimiu-se e encostou da melhor forma ao segundo poste uma grande assistência de Rafa. Pouco depois, Hugo Azevedo teve uma oportunidade soberana para voltar a reduzir mas Carles Grau defendeu o livre direto pela décima falta dos dragões. O triunfo era um dado adquirido e o Campeonato já não fugia, curiosamente frente ao mesmo adversário que os azuis e brancos defrontaram no último título em 2017 (11-4, beneficiando também do empate do Benfica com o Sporting com muita polémica à mistura). Ainda assim, Reinaldo García, com um remate muito forte de meia distância, apontou o 6-3 final aos 45′.

Com este título, o FC Porto consegue novamente igualar o registo máximo do Benfica, somando ambos um total de 23 Campeonatos contra apenas oito de Paço de Arcos e Sporting, os conjuntos que se seguem neste particular. Antes, os dragões já tinham conquistado a Supertaça (a 22.ª, bem mais do que todas as outras equipas juntas), caindo nos quartos da Taça de Portugal – prova onde continuarão a ser sempre a formação com mais triunfos – e na final da Liga Europeia, o grande objetivo dos azuis e brancos nos últimos anos que voltou a ficar muito perto com a derrota no encontro decisivo com o Sporting.

Recorde-se que, após uma geração dourada do Benfica que conseguiu cinco títulos nos anos 90, o FC Porto iniciou em 2001/02 uma série de dez Campeonatos consecutivos que, a título de curiosidade, tinha nesse primeiro plantel Reinaldo García (que voltou entretanto ao clube, após oito anos em Espanha pelo Liceo e pelo Barcelona), os agora treinadores Tó Neves e Edo Bosch (adjunto da Oliveirense), Pedro e Paulo Alves, Reinaldo Ventura, Filipe Santos e Ricardo Figueira, que acabou a sua formação em medicina. Franklim Pais, hoje diretor da modalidade, foi o técnico dos dragões ao longo dessa década de sucesso.

Esta temporada, Guillem Cabestany, espanhol que se destacou no Vendrell antes de passar pelos italianos do Breganze e chegar ao Dragão em 2015, tinha recebido três reforços: Poka, internacional português ex-Valongo; Giuliano Cocco, promessa italiana ex-Lodi; e Hugo Santos, ex-júnior que passou pelo Benfica e voltou ao clube por onde tinha passado ainda enquanto benjamim. O trio juntou-se a Nélson Filipe, Carles Grau, Hélder Nunes, Telmo Pinto, Reinaldo Garcia, Rafa e Gonçalo Alves. Na próxima temporada, os nomes de Xavi Malián, Carlo di Benedetto, Sergi Miras (todos do Liceo) e Tiago Rodrigues (Sanjoanense) têm sido apontados como possíveis caras novas para os azuis e brancos em 2019/20 perante as prováveis saídas do capitão Hélder Nunes (que deverá rumar ao Barcelona de João Rodrigues), Telmo Pinto (Sporting) ou Carles Grau (Liceo).