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Migrações

Falta de consenso de júri americano livrou de condenação ativista que ajudou migrantes

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Scott Warren, 36 anos, arriscava-se a apanhar até 20 anos de prisão por ter colaborado no transporte e abrigo de migrantes, em cidade perto México. Júri não chegou a consenso para o condenar.

Migrantes à chegada à cidade de Hidalgo, no México, vindos da Guatemala

AFP/Getty Images

A história parecia ter tudo para começar assim: Scott Daniel Warren, 36 anos, apanhou uma pesada pena de prisão por ajudado a transportar e abrigar migrantes para uma cidade do estado do Arizona, Estados Unidos da América, próxima da fronteira com o México. O norte-americano, um professor universitário de geografia, arriscava-se a apanhar até 20 anos de prisão. Porém, um júri norte-americano responsável por decidir a sua pena optou por não o condenar, não sendo ainda certo que Warren venha a enfrentar novo julgamento, revela a agência de notícias Associated Press.

A versão deste ativista, apresentada pelo seu advogado Greg Kuykendall e citada pela revista Time, era a seguinte: Warren teria apenas sido “gentil” quando providenciara alimentos, água e alojamento a dois migrantes, antes de ser detido no início de 2018. O ativista não poderia virar as costas a dois migrantes alegadamente debilitados que teriam atravessado um deserto para entrar no país, acrescentava a defesa.

A acusação, que pedia pena de prisão para o ativista, veiculava uma versão diferente: acusava-o de conspiração, por albergar e apoiar migrantes que não estariam, segundo a acusação, numa situação de risco. Chamado a pesar os argumentos das duas partes, um júri — coletivo de juízes e cidadãos que conjuntamente decidem atribuir uma pena — não conseguiu chegar a consenso e desistiu de atribuir um veredito.

A renúncia à condenação (mas também à absolvição) surge numa altura em que grupos de ajuda humanitária que trabalham nos EUA acusam o Governo norte-americano de perseguição e escrutínio apertado, devido às políticas anti-imigração ilegal de Donald Trump. À saída do julgamento, Warren terá “agradecido aos seus apoiantes e criticado os esforços do governo para combater severamente a imigração nos EUA”, revela a Time.

Hoje, continua a ser tão necessário como sempre foi que os moradores locais e os voluntários de ajuda humanitária se solidarizem com migrantes e refugiados, assim como também devemos erguer-nos para defender as nossas famílias, amigos e vizinhos na terra que está a ser mais ameaçada pela militarização das comunidades próximas da fronteira”, terá afirmado o ativista, citado pelo The Guardian

A 2 de julho, um juiz voltará a ouvir os argumentos da defesa e da acusação, não sendo ainda certo se a isso se seguirá novo julgamento. O ativista que foi detido no início de 2018 fará parte de um grupo de ajuda humanitária chamado No More Deaths, que já terá sido alvo de outras acusações judiciais pelo seu apoio a migrantes com estatuto ilegal no país. No início deste ano, por exemplo, o grupo humanitário de que Warren faz parte havia sido acusado de ter deixado água, comida e outras provisões a migrantes que atravessavam o sudeste do estado do Arizona.

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Rui Ramos
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O pior que nos poderia acontecer era deixarmos de ser portugueses, para passarmos a ser “brancos”, “negros”, ou “ciganos”. Não contem comigo para macaquear o pior que tem a sociedade americana.

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