Depois de ter saído do Benfica em 2014, onde conseguiu bater uma série de registos entre os melhores marcadores estrangeiros do clube ao longo de sete anos, Óscar Cardozo esteve dois anos nos turcos do Trabzonspor, passou uma temporada nos gregos do Olympiacos e regressou ao Paraguai para representar o Libertad. Aos 36 anos, o avançado que já não era propriamente o mais rápido do mundo vai gerindo os jogos e o esforço como pode mas mantém o intacto o instinto para fazer golos, até mesmo aqueles impossíveis como o que marcou ao The Strongest na Taça dos Libertadores do meio-campo. Os 24 jogos realizados entre Liga nacional e competições estrangeiros valeram-lhe a chamada à Copa América. A bom tempo.

A equipa de Eduardo Berizzo tem no criativo Miguel Almirón o seu grande destaque mas o experiente dianteiro continua como intocável, tendo mesmo inaugurado o marcador frente ao Qatar no Maracanã de grande penalidade antes de ver um golo após assistência do jogador do Newcastle que andou algum tempo nos Estados Unidos anulado pelo VAR. Com esse 1-0, o Tacuara tornou-se o terceiro mais velho de sempre a marcar num encontro da Copa América, sendo apenas superado nesse particular pelo mexicano Rafael Márquez e pelo peruano Claudio Pizarro, outros jogadores com muita experiência europeia. Em paralelo, o antigo jogador encarnado bateu um recorde com mais de 70 anos, sendo o mais velho a marcar pelo Paraguai.

O Paraguai estava melhor, saiu a ganhar ao intervalo e aumentou a vantagem ainda no primeiro quarto de hora após o intervalo com um grande golo do avançado Derlis González, outro antigo jogador que passou pelo Benfica vindo ainda com idade de júnior do Rubio Ñu antes de ser emprestado a Guarani e Olimpia (seria vendido em 2014 ao Basileia, de onde se transferiu na época a seguir para os ucranianos do Dínamo Kiev, com quem tem ainda contrato). Tudo parecia resolvido e o conjunto de Berizzo tinha na mão a possibilidade de arrancar com um triunfo e igualar a Colômbia na liderança do grupo mas uma grande recuperação do Qatar, uma das equipas convidadas para esta edição da Copa América, evitou esse cenário.

Golos de González e Cardozo, aqui a discutirem a bola com Salman, foram insuficientes para o Paraguai CARL DE SOUZA/AFP/Getty Images)

Com o português naturalizado Pedro Correia, mais conhecido como Ró-Ró, de novo como titular no lado direito da defesa, os asiáticos reduziram num grande golo também de Almoez Ali (68′) e chegaram mesmo ao empate a 13 minutos do final por Boualem Khoukhi, abrindo por completo uma partida que parecia estar resolvida para alegria dos poucos (mesmo poucos) adeptos que estiveram no Maracanã, no segundo jogo com assistências que deixam muito a desejar depois do Peru-Venezuela.

Em paralelo, a equipa liderada pelo espanhol Félix Sánchez, técnico que esteve uma década na formação do Barcelona antes de se mudar para a Aspire Academy e assumir a seleção Sub-19 do país em 2013, subindo escalões até ao conjunto principal em 2017, confirmou as boas indicações deixadas na Taça da Ásia, que conquistou pela primeira vez após derrotar o Japão.