Há dias em que tudo corre bem e até mesmo abordagens a lances que por instinto nos fazem olhar para outro lado porque dali não vai sair nada acabam por iniciar jogadas de golo. Nicolás Lodeiro, de 30 anos, teve um desses dias. A equipa do Uruguai parece que entrou numa máquina do tempo que faz com que joguem sempre os mesmos. Os mesmos, bem e com competitividade de tirar o chapéu. Cavani, Suárez, Godín, Muslera, Cáceres – sempre os mesmos. O esquerdino deve ser dos poucos que não tem propriamente lugar assegurado no onze apesar de já andar nestas andanças das fases finais desde o quarto lugar no Mundial de 2010 na África do Sul, mas bastaram 30 minutos para justificar a escolha do mestre Tabarez.

Nico, como Lodeiro também é conhecido, começou por dar nas vistas na pele de goleador mas com nota artística elevada: no seguimento de uma jogada em que Luís Suárez aproveitou uma tentativa de corte em falso da defesa do Equador, o avançado do Barcelona avançou com bola pela direita, cruzou largo ao segundo poste para o antigo companheiro no Ajax há quase uma década e o canhoto dominou na coxa, fez um chapéu de pé esquerdo e rematou para o primeiro golo que começou a desbloquear um encontro que se tornaria bem mais fácil para o Uruguai do que na teoria poderia ser.

Num lance de novo com Nicolás Lodeiro, que desde 2016 que está nos Estados Unidos (Seattle Sounders) depois de passagens por Holanda (Ajax), Brasil (Botafogo e Corinthians) e Argentina (Boca Juniors), Quintero, lateral direito dos equatorianos, entrou com o cotovelo na cara do esquerdino – que ficou a sangrar, tendo mesmo de sair de campo por ter aberto o sobrolho – e acabou por ser expulso com vermelho direto após intervenção do VAR, adensando as dificuldades do conjunto de Hernán Darío Gómez. Uns minutos depois, o 2-0 com Nico de novo ao barulho: canto na direita batido por Nández, desvio do canhoto de cabeça que parecia ser apenas um balão que tinha saído mal, assistência de Godín e remate acrobático de Cavani para o 2-0.

O jogo estava de sentido único, só faltava mesmo um golo de Luís Suárez para fechar as contas entre as três unidades mais ofensivas e ainda antes do intervalo também o dianteiro campeão pelo Barcelona já tinha deixado a sua marca: canto na esquerda de Lodeiro, desvio ao primeiro poste de Martin Cáceres e toque final do número 9 para o 3-0 que se registava ao intervalo, algo que não acontecia desde 1959 num encontro onde o Uruguai passou a barreira dos 400 golos na Copa América.

Na segunda parte, com um ritmo de jogo mais baixo perante a incapacidade do Equador em sair do seu meio-campo, o Uruguai conseguiu criar mais algumas oportunidades mas chegaria apenas ao 4-0 através de um autogolo de Arturo Mina (78′), central que joga nos turcos do Yeni Malatyaspor e que andou mais de metade do encontro “picado” com Suárez e Cavani.