Não fosse o episódio no último clássico no Dragão em que Sérgio Conceição teria recusado cumprimentar João Félix no final do triunfo do Benfica frente ao FC Porto por 2-1, que o treinador azul e branco comentou na conferência de imprensa seguinte para dizer que o avançado encarnado até tinha estado em sua casa nas férias anteriores, e não haveria ninguém  que soubesse onde o jovem internacional andara no verão passado. Um ano depois, a realidade é diametralmente oposta. Até porque o número 79 deixou de conseguir passar ao lado onde quer que esteja ou vá, em Portugal ou em Espanha.

Depois de ter passado uns dias em Ibiza com os amigos e também jogadores Diego Batista e Miguel Nóbrega, Félix passou uns dias em Madrid onde terá fechado os últimos detalhes da mudança para o Atlético e regressou ao normal período de férias agora por Portugal, entre Algarve (onde esteve com Rodrigo Conceição, filho do técnico dos dragões) e Viseu, onde foi esta quarta-feira homenageado na Câmara local tornando-se embaixador da cidade onde nasceu. Tudo acompanhado ao detalhe por publicações nacionais e estrangeiras, ao nível das grandes estrelas do futebol internacional. Enquanto andava de um lado para o outro, o novo técnico, Diego Simeone, estava em Buenos Aires mas com a cabeça na próxima temporada.

Como explicou o El Confidencial esta quarta-feira, nem mesmo a entrada de João Félix para uma vaga que antes era ocupada por Griezmann vai alterar o ADN que o argentino considera ser o ideal dentro da identidade montada nos colchoneros: o mais importante continuará a ser não sofrer golos com aquele que cataloga como um dos melhores guarda-redes da atualidade e uma defesa que terá de ser refeita com as saídas de Godín e Lucas Hernández (neste caso, compensada por agora com a entrada do ex-portista Felipe), colocando o enfoque principal na vitória do que na “nota artística”. “Coração, muito compromisso e mentalidade forte” são características descritas pela publicação para a nova versão do Atleti que tentará ir mais longe na Liga dos Campeões (caiu nos oitavos com a Juventus) e no próprio Campeonato (terminou em segundo no ano passado).

“O que os jogadores querem é ganhar. A posse de bola no início é um encanto para eles mas quando perdem quatro jogos o que querem é contundência e ter menos a bola”, disse em entrevista ao La Nación Diego Simeone, o argentino que se assume como o técnico que prefere ganhar por 1-0 do que por 5-4 e que se mantém como uma figura quase unânime entre adeptos desde que tomou conta da equipa em 2011, tendo ganho uma Liga, uma Taça, uma Supertaça, duas Ligas Europa e duas Supertaças Europeias entre duas presenças na final da Champions, com derrotas frente ao rival Real Madrid.

“O Atlético é uma equipa que historicamente compra jogadores jovens para que depois se desenvolvam. O Oblak que chegou não era o Oblak de hoje. Aconteceu com Giménez, com Lucas Hernández, que veio da formação, com Griezmann que quando chegou não era o mesmo de hoje… Queremos um miúdo com talento, que possa absorver as nossas ideias. Estamos a trabalhar em algumas situações, para que no futuro se desenvolvam”, comentou o técnico sobre Félix na semana passada.

Se no lado de Simeone há mais cautelas, da parte de Paulo Futre sobra sobretudo euforia. Em declarações na CMTV, a antiga glória dos colchoneros mostrou-se impressionado com o negócio anunciado pelo Benfica à CMVM de 126 milhões de euros e falou mesmo numa “loucura total”. É uma grande vitória do futebol português. A partir daqui as coisas vão ser diferentes. Os grandes tubarões vão olhar para o futebol português de outra maneira, antes vinham de saltos…», destacou na CMTV, prosseguindo: “Como colchonero e português estou feliz. Estou convencido de que ele vai triunfar. Apresentação? Vai ser uma autêntica loucura, o estádio vai encher”, reforçou o ex-internacional português que foi um dos jogadores mais acarinhados do clube.