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República Centro Africana

RCA: Portugal transfere comando de missão europeia mas trabalho é para continuar

A cerimónia de transferência de comando decorreu em Bangui e contou com a presença do ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho. A liderança passa para o general francês Eric Peltier.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana

CARLOS BARROSO/LUSA

Portugal transferiu nesta segunda-feira o comando da Missão Europeia de Treino Militar – República Centro-Africana (EUMT-RCA), anteriormente liderado pelo general Hermínio Maio, para a França, com um sentimento de orgulho e de que o trabalho é para continuar no país.

O ministro da Defesa português, João Gomes Cravinho, esteve presente na cerimónia de transferência de comando, que decorreu em Bangui, considerando que foi uma “honra e orgulho” liderar a missão ao longo de 18 meses.

“Ocorreu uma passagem de testemunho, do general Maio para o general francês Peltier, mas isto não significa o fim do compromisso de Portugal. É uma manifestação do nosso interesse em continuar a contribui para a paz e estabilidade na RCA, seja na missão da União Europeia ou na Missão das Nações Unidas”, disse o ministro.

João Gomes Cravinho salientou que a formação das Forças Armadas centro-africanas é um processo longo e garantiu que Portugal vai continuar ao lado dos seus parceiros.

“Continuaremos ao lado dos nossos parceiros europeus, das Nações Unidas e da RCA”, defendeu.

O general Hermínio Maio assumiu o comando da missão na RCA em janeiro de 2018 e manteve-o até hoje, transmitido agora a liderança para a França, para o general Eric Peltier, numa cerimónia que decorreu em Bangui e que contou com a presença da ministra das Forças Armadas da França, Florence Parly e do Presidente da República Centro Africana, Faustin-Archange Touadera.

Na cerimónia de transferência de comando, o general Hermínio Maio recebeu várias condecorações.

Na EUMT-RCA, Portugal tem 50 militares que terminam a sua missão e a maioria preparara-se para regressar terça-feira a Portugal, enquanto outros 15 militares estão a iniciar funções, com três militares brasileiros no grupo.

Dos militares na missão de treino, 43 regressam na terça-feira a Portugal, incluído a general Hermínio Maio, que em setembro vai assumir o cargo de Diretor Adjunto da Capacidade Militar de Planeamento e Condução da União Europeia – Military Planning Conduct Capability em inglês, em Bruxelas.

“É uma manifestação de como o trabalho foi apreciado na RCA. Tem feito um trabalho que prestigia Portugal e as nossas Forças Armadas e vai continuar a fazer esse trabalho em Bruxelas”, disse João Gomes Cravinho.

O general Hermínio Maio mostrou-se orgulhoso do trabalho desempenhado, explicando que esta missão da União Europeia na RCA tem como objetivo o treino e formação.

“Pretendemos estruturar as forças armadas e a Defesa na RCA, outra área é a educação, de modo a formar oficiais e sargentos, e por último uma vertente de treino. Já formámos cinco batalhões, cerca de quatro mil militares, e neste período em que Portugal comandou formámos três batalhões”, disse o general, que destacou que mais de 1.500 militares centro-africanos já estão no terreno.

Hermínio Maio lembrou que para o Acordo de Paz, assinado em fevereiro no país, foi importante o aumento da operacionalidade das Forças Armadas locais, destacando a renovação do mandato até 2020 desta missão e o estender à região de Bouar, onde já decorre o trabalho.

O general português vai em setembro para Bruxelas, num novo cargo. “Vou a partir de setembro numa nova função em Bruxelas, de Adjunto para o Comando das Operações da União Europeia e de Chefe-Estado-Maior que apoia a condução das operações. É um voto de confiança importante e o meu trabalho aqui foi importante, apoiado pelos contingentes aqui presentes e pelos militares portugueses”, frisou.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O Governo centro-africano controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

O acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, no início de fevereiro pelo Governo da RCA e por 14 grupos armados. Um mês mais tarde, as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA), cujo 2.º comandante é o major-general Marcos Serronha, onde agora tem a 5.ª Força Nacional Destacada (FND) e tem militares na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA).

A 5.ª FND, que tem a função de Força de Reação Rápida, integra 180 militares do Exército, na sua maioria elementos dos Comandos (22 oficiais, 44 sargentos e 114 praças, das quais nove são mulheres), e três da Força Aérea.

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