O Presidente da República apelou esta quarta-feira a que se combata com pedagogia, diálogo e inteligência as tendências de hipernacionalismo e xenofobia, desaconselhando um “radicalismo anti radical”, que no seu entender é contraproducente.

“Dir-se-á: mas, às vezes, apetece crispar e radicalizar, perante situações radicais que parecem inaceitáveis, intoleráveis. O grande risco é que esse tipo de comportamento pode potenciar o radicalismo do outro lado. E há aqui um equilíbrio que é preciso manter”, afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa abordou este tema durante uma visita ao Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (EMCDDA), em Lisboa, referindo que as crises deixaram os europeus “mais temerosos, desconfiados, reativos” e “nem sempre tão atentos aos outros e tão tolerantes em relação aos outros”.

O chefe de Estado considerou que “os portugueses não são exceção” e alertou para “o aparecimento de novas personalidades, de novos estilos, de novas lideranças, de novas propostas, que muitas vezes assentam na ideia de fechar, no hipernacionalismo, na xenofobia” e para o “efeito de imitação” desse discurso.

Segundo o Presidente da República, “na sociedade portuguesa, felizmente, isso não tem tido a expressão de outras sociedades, mas isso não significa que não haja nalguns setores da sociedade inseguranças, de vez em quando, temores, hipersensibilidades, disponíveis para aceitar esse tipo de discurso”.

Sem dar nenhum exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que “é preciso, contra esse discurso, fazer a pedagogia da aceitação da diferença, mas fazer uma pedagogia inteligente, que não reforce aquilo que se quer combater”.

“Tem de se ser, ao mesmo tempo, claro nos princípios, mas inteligente na forma de afirmar esses princípios. Se se quer evitar o radicalismo, uma boa maneira é não fomentar o radicalismo anti radical, porque o radicalismo aumenta a resposta do radicalismo oposto, inevitavelmente”, argumentou.