O “namoro” entre Ford e Volkswagen continua de vento em popa, com as companhias a encontrarem formas que sirvam o interesse de ambas as partes através do estreitamento de relações. Depois de terem chegado a acordo nos comerciais ligeiros, o que passa por a próxima geração da Amarok ter por base a Ranger, mas não só, os dois fabricantes mantiveram conversações com vista a chegarem a um entendimento mais amplo. E chegaram: a Ford pretende construir 600 mil veículos eléctricos no horizonte de seis anos, a partir de 2023, com base Volkswagen.

O modelo em causa vai ser projectado e fabricado especificamente para o mercado europeu, a partir de Köln-Merkenich, na Alemanha. Ou seja, o construtor norte-americano espera vender 100 mil unidades/ano de um eléctrico com tecnologia Volkswagen. Nomeadamente, a plataforma modular MEB projectada pelos alemães e onde desde 2016 já foram investidos cerca de 7 mil milhões de dólares, com a perspectiva de que esta base venha a servir para montar à volta de 15 milhões de carros eléctricos, só do Grupo Volkswagen, na próxima década. A Ford ressalva ainda que o seu EV europeu vai contar com outros componentes-chave facultados pela Volkswagen e que, se as perspectivas de venda se vierem a confirmar, pretende lançar um segundo modelo sobre a arquitectura MEB.

Mas neste extenso acordo comercial entra ainda em cena uma outra empresa, a Argo AI, startup especializada em inteligência artificial e que é vista pelos dois fabricantes automóveis como uma “ferramenta” essencial para desenvolver as tecnologias de condução autónoma. Neste entendimento, a Volkswagen não só abre a porta para entrar na companhia, avaliada em 7 mil milhões de dólares, como assegura que passará a ter uma participação igual à da Ford. E, juntas, passam a ter a maioria das acções. A meta passa por equipar os veículos de ambas as marcas, para ride sharing ou entrega de mercadorias, com um sistema de nível 4, ou seja, ainda com pedais e volante, mas onde o condutor pode remeter-se ao papel de apenas acompanhar a forma como a tecnologia o conduz, sem requisitar a sua intervenção.