Não fosse o seu teor e o artigo de opinião “Incêndios Programados”, publicado num jornal regional de Oeiras e Cascais chamado Costa do Sol, teria passado completamente despercebido. Contudo, o que é aí defendido pela presidente da concelhia da Juventude Socialista de Cascais e candidata a deputada do PS por Lisboa (mas num lugar quase impossível de eleger), Alexandra Domingos, já começou a correr redes sociais e blogues: segundo a socialista, é possível que os incêndios recentes em Castelo Branco e Santarém tenham sido provocados com “a clara intenção de apagar um momento mediático, de ofuscar e de colocar em causa o Governo de António Costa”.

A tese da presidente da JS Cascais decorre de uma coincidência de datas que para a autora pode não ser casual: “Na tarde deste sábado, dia 20, quando soaram as sirenes no centro do país, o Partido Socialista apresentava, em Lisboa, o Programa Eleitoral com o qual se apresentará às eleições de 6 de outubro. O culminar de centenas de quilómetros, reuniões, debates, discussões e quatro convenções temáticas que contribuíram de forma ímpar para a coordenação do programa socialista”, lembrou.

Coincidências? Existem. Ainda assim fica a dúvida se por ora falamos de coincidências ou de clara intenção de apagar um momento mediático, de ofuscar e de colocar em causa o Governo de António Costa”, escreveu a militante do PS, na última edição impressa do jornal Costa do Sol, publicado esta quarta-feira, 24 de julho.

A coluna de opinião de Alexandra Domingos foi partilhada pela própria na sua conta de Facebook, através de um ‘post’ público acessível a todos os que visitem a sua página (mesmo não a tendo adicionada no seu círculo de “amigos”). A socialista é a 47º da lista de candidatos do PS a deputados pelo círculo eleitoral de Lisboa, ocupando a penúltima posição da lista de candidatos efetivos (a que acrescem cinco suplentes). Deste modo, será praticamente impossível ser eleita para a Assembleia da República.

No texto de opinião inserido na sua coluna “(Re)Ação”, a presidente da concelhia de Cascais da Juventude Socialista refere que “os relatos foram muito claros desde a primeira hora: cinco ignições fortes identificadas à mesma hora e na mesma região” e pergunta: “Se não será fogo posto, com mão humana e criminosa, o que será então?”

Referindo ainda que “as investigações da Polícia Judiciária decorrem desde o primeiro momento”, Alexandra Domingos sublinha que “dos locais onde já foi possível realizarem-se as devidas perícias, chegam evidências de existência de artefactos explosivos, estrategicamente montados e colocados para provocarem ignições suficientemente fortes e rápidas. O vento foi apenas um aliado perfeito, no timing perfeito”.

O objetivo dos incendiários terá sido, segundo a socialista, “lesar pessoas, lesar bens, lesar o país, lesar tudo o que de bom temos vindo a (re)construir com o esforço público e coletivo”. Agora, “importa conhecer a origem de tamanha ação macabra” e dar resposta a algumas perguntas, embora a uma a socialista já anteveja a resposta: “Quem ordena, com que motivos o faz — sendo certo que já os antevemos — e como o faz“.