Matteo Salvini, ministro do Interior italiano e líder do partido de extrema-direita Liga, que pediu eleições antecipadas na quinta-feira, tem estado desde o início de agosto numa tourné por várias praias em Itália. Dias antes, dissera que não queria tirar férias. Mas, agora, trocou mesmo o assento no governo pelo fato de banho e vários analistas defendem que a “beach tour” — assim denominou a Liga esta passagem pela costa italiana — é um ato de campanha eleitoral.

Num resort da praia Papeete, Salvini tirou fotos em tronco nu com apoiantes, bebeu cocktails, dançou e até fez de DJ numa festa. Chegou também a passar o hino nacional italiano, enquanto as pessoas que estavam na festa dançavam e gritavam em euforia. Quem esteve presente divulgou nas redes sociais fotografias e vídeos do ministro a atuar e a conviver com festivaleiros.

A advogada e secretária de Estado francesa Juliette Méadel partilhou uma das imagens no Twitter e escreveu: “Eu prefiro o Salvini a fazer de DJ nas praias do que como ministro, e vocês?”

Também Matteo Salvini partilhou imagens das “férias” nas redes sociais e mostrou uma fotografia com o ex-treinador da equipa de futebol AC Milan Arrigo Sacchi.

Pelo meio, o líder da extrema-direita italiana tem dado conferências de imprensa e já fez discursos em comícios. Numa das conferências, insultou e chamou “pedófilo” a um jornalista que filmou o filho de 16 anos do ministro a andar numa mota de água da polícia.

A tour vai durar duas semanas, escreve o The Guardian. Salvini vai passar por Abruzzo e Molise, zonas do interior, e pela costa sul italiana, em Puglia, Basilicata, Calábria, Sicília e Campania.

A oposição de Salvini tem criticado o comportamento do ministro nas praias por onde tem passado. “Salvini está a escolher praias e não locais de trabalho porque durante o verão ninguém quer ver imagens de sofrimento, que, infelizmente, têm sido uma constante desde que este governo começou”, disse Salvatore Margiotta, membro do partido democrata. Margiotta diz que a estratégia do líder da extrema direita pode mesmo resultar: “Ele depende de uma máquina de propaganda brilhante, onde se projeta como um homem comum, inimigo da elite, enquanto usa um palco com música e cor. Infelizmente, o povo italiano vai acabar por pagar”, acrescentou.

“Certas imagens incomodam. (O hino só pode tocar) em determinas circunstâncias e sobretudo com o devido comportamento”, disse ainda Gianfranco Paglia, alto militar das forças armadas, citado pelo El País.

Esta “campanha” surge numa altura em que o líder da extrema-direita exige que sejam convocadas eleições antecipadas em Itália. Salvini deu a coligação entre os dois partidos que compõem o governo — os esquerdistas do Movimento Cinco Estrelas (M5S) e o Liga — como colapsada e revelou que disse ao primeiro-ministro que chegou a hora de devolver a “palavra aos eleitores”. O resultado das últimas sondagens mostra que o Liga lidera na intenção de voto, com 38%, enquanto o M5S ronda os 17%.

Ainda na segunda-feira, o governo italiano aprovou um polémico diploma do ministro do Interior, que estabelece multas às organizações não governamentais que salvam vidas no Mediterrâneo. O diploma foi apresentado como uma moção de confiança ao executivo. O decreto foi aprovado definitivamente no senado com 160 votos a favor, 57 contra e 21 abstenções. O eventual chumbo do diploma teria provocado a queda do governo. 

O partido italiano de extrema-direita Liga também já anunciou que vai apresentar uma moção de censura ao primeiro-ministro, Giuseppe Conte. “Demasiados ‘nãos’ prejudicam a Itália, que precisa voltar a crescer e voltar a votar rapidamente. Quem perder tempo prejudica o país”, refere Salvini num comunicado divulgado pelo partido.