O grupo de media Cofina confirmou esta terça-feira em comunicado oficial que está a negociar com a empresa espanhola Prisa uma “possível oferta formal pela Media Capital”, avança o Eco. A notícia já circulava há dias nos bastidores e o Observador também confirmou a informação junto de fontes conhecedoras do processo.

Paulo Fernandes já terá assinado um memorando com a Prisa, que lhe garantiu a tal exclusividade nas negociações. Entretanto, a CMVM suspendeu a negociação das ações de ambas as empresas. “O Conselho de Administração da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, deliberou […] a suspensão da negociação das ações da Cofina — SGPS, SA e das ações do Grupo Media Capital, SGPS, SA, aguardando a divulgação de informação relevante ao mercado”, lê-se num comunicado publicado na página da internet da CMVM.

O Observador sabe que à Cofina pode juntar-se Isabel dos Santos neste negócio com a Media Capital.

O avanço da Cofina surge depois da saída de Rosa Cullell da direção da Prisa, bem como de uma tentativa fracassada de negociações com a Altice. À Rádio Observador, Rosa Cullell confirmou, a 12 de julho, que a compra não se fez porque “a Autoridade da Concorrência não pôs condições fáceis” e a Altice “não quis avaliar” as mesmas. A desvalorização da estação de Queluz, devido à acentuada descida de audiências registada nos últimos meses, bem como os valores baixos alegadamente propostos pela Altice, são também apontados como possíveis motivos para o fim das negociações.

Apesar de, segundo o Expresso, ainda não existir uma proposta com valores concretos, a assinatura do memorando parece afastar do negócio outros potenciais interessados já apontados pela imprensa, como o empresário Mário Ferreira, CEO da Douro Azul, empresa que atua na área do turismo de luxo.

O Cofina detém o Correio da Manhã, o Record, a Sábado e o Jornal de Negócios e explora também a CMTV.

Se o negócio avançar, e para passar na Autoridade da Concorrência que já levantou enormes obstáculos nas últimas negociações com a Altice, CMTV e TVI24 não podem coexistir. Ou haverá fusão com o desaparecimento de um dos canais, ou alguém compra a CMTV, um das hipóteses que tem sido considerada dentro do grupo.

Antes das negociações terem avançado, Paulo Fernandes terá feito vários contactos com profissionais da TVI para os tranquilizar. Entre eles, o diretor de informação Sérgio Figueiredo.

A TVI/Media Capital fez recentemente várias mudanças na administração, com a saída de Rosa Cullel da presidência e a sua substituição por Luís Cabral, e também a passagem de José Eduardo Moniz para a Plural.

O preço da TVI terá baixado com a queda das audiências (a RTP já se aproxima em vários dias) e a perda da liderança para a SIC.