Argentina, Grécia, Brasil, Reino Unido, México ou Nicarágua são alguns dos 13 países onde o Grupo Selina marca presença. A cadeia de alojamento fundada no Panamá em 2014, pelos israelitas Rafael Museri e Daniel Rudasevski, chegou ao continente europeu no ano passado, depois de abrir um hotel na Rua das Oliveiras, no Porto.

“Somos uma empresa de experiências, onde o alojamento é um dos serviços. Não é o nosso foco, mas acaba por ser”, explica Manuel Carneiro, diretor do Selina Porto, em entrevista ao Observador.

A primeira morada do grupo na Europa conta com 60 quatros, entre dormitórios e suites com três tipologias diferentes, mas a intenção é aumentar o número de quartos em breve num novo edifício da baixa. As áreas comuns do Selina Porto incluem um bar, uma cafetaria com menus de pequeno-almoço e um jardim a céu aberto, que integra uma food truck. Concertos, mercados, aulas de ioga, workshops ou exposições fazem parte de uma programação cultural própria, aberta tanto a turistas como a locais, baseada naquilo que é a vida e a oferta em cada cidade. “Somos talvez o único espaço no Porto que numa noite tem um concerto de fado e no dia seguinte um show de drag queens”, sublinha o responsável.

Seguiram-se hotéis em Lisboa, Ericeira e Vila Nova de Milfontes, sendo que as próximas paragens serão Peniche, Gerês e Açores. Começar pela Invicta foi uma opção puramente estratégica, empurrada pelo facto de a cidade ter sido considerada nos últimos anos como uns dos melhores destinos europeus, mas a aposta a norte não fica por aqui. Este mês nasce o Selina Navis, o primeiro espaço da marca inteiramente dedicado ao cowork, sendo que o projeto inclui ainda um bar e uma discoteca.

 

“Todos os Selinas citadinos têm zonas para trabalhar, no entanto este será o primeiro edifício inteiramente dedicado ao conceito. Em Lisboa o cowork está mais desenvolvido, mas cá no Porto é algo embrionário que ainda pode ser explorado, até porque há cada vez mais empresas interessadas em trabalhar na cidade”, afirma Manuel Carneiro.

O local escolhido foi o emblemático Depósito de Materiais da Companhia de Cerâmica das Devesas, classificado como monumento de interesse público desde 2014. Situado na Rua José Falcão, o prédio foi projeto em 1899 por José Teixeira Lopes e pensado para albergar o depósito de materiais cerâmicos da fábrica situada em Vila Nova de Gaia. A sua originalidade prende-se com a arquitetura revivalista neoárabe, a fachada revestida de azulejos relevados com padrão ou os detalhes cerâmicos trabalhados nas janelas.

Trabalhar numa nau e lembrar os Descobrimentos

O Selina Navis é inspirado na época dos Descobrimentos portugueses e a decoração, além de manter a traça original do edifício, como os tetos trabalhados ou o chão, é marcada por vários tipos de madeiras, que fazem lembrar as naus de outros tempos, mas também muitas plantas, luz natural e cores vivas, pinceladas tanto nas paredes como nos tecidos de sofás e poltronas. “Quisemos criar um laboratório para empreendedores, startups e novos projetos, relacionando-os com aquilo que foram os Descobrimentos. O objetivo é que todas as pessoas que aqui trabalhem criem sinergias, dinâmicas e parcerias”, sublinha o diretor, Manuel Carneiro, acrescentando que a diversidade, a criação e originalidade serão as principais mais valias do espaço, que está “pronto para receber todo o tipo de empresas”.

Dois meses de obra e 500 mil euros foram o suficiente para dar um “refresh” ao edifício classificado. Nos rés-do-chão, onde antigamente funcionava um restaurante, encontramos um hall imponente onde pode ler-se “Welcome aboard” em letras led vermelhas e um balcão onde se irá servir bebidas, snacks e sanduíches. Ainda no piso térreo está uma sala versátil e polivalente para congressos, workshops e eventos privados. Mesmo em frente, o espaço será reservado a um bar com Dj, tendo abertura prevista para outubro, que servirá vinhos, cocktails e alguns petiscos, como tábuas de queijos ou de enchidos. A partir do final do ano, esta sala irá transformar-se ao fim de semana num night club.

Seja pelas escadas ou pelo elevador, subimos ao primeiro andar e conhecemos um open space,com capacidade para receber 90 pessoas, dividido em duas áreas: as dedicated desks, com secretárias, candeeiros individuais e gavetas para arrumação, e as hot desks, uma zona com sofás e mesas altas, próprios para um aluguer mais pontual e descontraído. Neste piso há uma copa, impressoras e ainda três salas de reuniões, também disponíveis para o público geral. No último andar moram quatro escritórios individuais, batizados com nomes de descobridores portugueses, com capacidade para trabalharem até 28 pessoas.

Os preços podem ir da ocupação diária, 15€, aos contratos anuais, sendo que algumas modalidades têm vantagens para o trabalhador, que pode receber vales de descontos em alojamentos do grupo ou outros serviços. O Selina Navis abre portas na próxima segunda-feira para quatro dias especiais onde o público pode experimentar livremente o espaço ou marcar uma visita guiada e conhecer melhor o novo conceito.

Rua José Falcão, 199, Porto. Segunda a sexta, das 8h às 22h. 22 013 5302