A ciência procura curar doenças, tecnologia que facilita a vida humana ou compreender a nossa presença na Terra. Mas depois existem os Ig Nobel, uma espécie de prémios Nobel versão paródia que destacam, desde 1991, as invenções que “fazem as pessoas rir e, só depois, pensar”, como descreve o site do evento. E os objetos, invenções e ideias galardoadas na edição deste ano, numa cerimónia em Harvard, cumprem o requisito: a lista deste ano passa por uma máquina para mudar fraldas, a tese de que a pizza ajuda a prevenir o cancro e o uso de sensores para descobrir que o testículo esquerdo tem uma temperatura corporal mais elevada que o direito (mas só quando o homem está vestido).

A gala contou com a presença de vários verdadeiros prémios Nobel para entregar os galardões, noticia o The Guardian. Além destas figuras, estava ainda presente na Universidade de Harvard uma rapariga de oito anos que tinha a função de interromper os discursos de agradecimento dos vencedores. Se estes ultrapassam os 60 segundos de discurso (o tempo estipulado), a menina dizia: “Por favor, parem. Estou aborrecida”. Mas passemos aos prémios.

Uma equipa de cientistas japoneses venceu o prémio de química por ter descoberto quanta saliva uma criança de cinco anos produz por dia. Quanta? Meio-litro. O iraniano Iman Farahbakhsh levou para casa o galardão de engenharia devido à sua invenção: uma espécie de máquina de lavar louça, mas para mudar fraldas a bebés. E esta máquina já tem patente norte-americana. Já o prémio de economia foi para uma equipa de investigadores holandeses, que descobriram que “o dinheiro mais sujo” é o romeno.

E regressemos à pizza (sim, também mereceu um prémio — o da medicina — e foi um dos destaques da 29ª edição dos Ig Nobel). O italiano Silvano Gallus, do departamento de epidemiologia do Instituto Mario Negri para a Investigação Farmacológica, estudou os efeitos da pizza na proteção contra doenças como o cancro e conclui que “certos ingredientes” deste alimento “têm uma influência favorável no risco de doenças cardiovasculares”, lê-se na conclusão dos três estudos que realizou.

O prémio Ig Nobel da paz foi para um conjunto de investigadores que descobriu a parte do corpo que mais prazer dá ao coçar: os tornozelos. Seguem-se as costas e os antebraços.

A lista continua. E todos os vencedores tiveram que pagar a própria viagem para estarem presentes na cerimónia. Ainda assim, recebem uma “compensação financeira”: uma nota de dez mil milhões de dólares do Zimbabué (uma moeda obsoleta e sem qualquer valor).