A coordenadora do BE criticou esta terça-feira que o trabalho e a precariedade tenham ficado de fora do frente-a-frente entre os líderes do PS e PSD, defendendo que “será sempre à esquerda” o debate das soluções para quem trabalha.

Durante uma visita à Escola Básica Sampaio Garrido, em Lisboa, Catarina Martins foi questionada sobre o debate para as eleições legislativas de 6 de outubro de segunda-feira entre o secretário-geral do PS e primeiro-ministro, António Costa, e o presidente do PSD, Rui Rio, concretamente sobre o tema dos professores.

“Sabe o que é que eu reparei ontem, que fiquei até um pouco surpreendida? É que num debate que teve o dobro do tempo de todos os outros debates não foi apresentada uma solução para as questões do trabalho, para nenhuma questão do trabalho. Estavam a perguntar-me pelos professores, conhecem a proposta do BE”, começou por responder.

Soluções para “respeitar os trabalhadores por turnos ou quem tem trabalho noturno” também ficaram de fora do debate, segundo a coordenadora bloquista, que também não viu “nenhuma solução para combater a precariedade”.

Como é que nós temos dois em cada três jovens em Portugal a trabalhar com contrato precário e não é possível numa hora de debate ter-se ouvido uma única proposta sobre como combater a precariedade e respeitar quem trabalha e os seus direitos”, questiona.

A resposta foi dada, de imediato, pela própria Catarina Martins: “acho que isso nos mostra uma coisa que é um pouco evidente, é que será sempre à esquerda que se vão debater as soluções para quem trabalha e o respeito por quem trabalha“.

“Há professores, há enfermeiros, há técnicos superiores de diagnóstico, há vários casos em que as carreiras não foram respeitadas e nós não podemos dizer às pessoas que elas não trabalharam os anos que trabalharam, ou que não tiveram as avaliações que tiveram, ou não fizeram as formações que fizeram. As pessoas devem ser respeitadas”, respondeu inicialmente.

No debate televisivo de segunda-feira, quanto aos professores, Rio garantiu que, se for Governo, se sentará à mesa com esta classe para voltar ao tema da recuperação total do tempo de serviço, desde já avisando que para devolução em dinheiro “a margem orçamental é escassa”, apostando em outras formas de compensação como a redução de horário ou antecipação da idade da reforma.

Por seu turno, António Costa contrapôs que o Governo já cumpriu o seu compromisso com os professores, salientando que “sobre esse tema” – da recuperação total do serviço congelado – não tem nada a prometer a esta classe profissional, mas deixou outras garantias.