NASA publica novos "sons peculiares" de sismos detetados em Marte

Sismos de magnitude 3,7 e 3,3 em Marte produziram sons tão suaves que são quase impercetíveis. Graças a eles, os geólogos da NASA descobriram que Marte pode ser mais parecido à Lua do que à Terra.

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A sonda InSight detetou o primeiro sismo em Marte em abril, quatro meses depois de ter chegado ao planeta.

NASA/JPL-Caltech

A sonda InSight detetou o primeiro sismo em Marte em abril, quatro meses depois de ter chegado ao planeta.

NASA/JPL-Caltech

A NASA publicou esta terça-feira dois ficheiros com “sons peculiares” detetados em Marte pela sonda InSight. A agência espacial norte-americana crê que foram provocados por dois sismos no Planeta Vermelho — um de magnitude 3,7 na escala de Richter; e outro de magnitude 3,3. Pode ouvi-los nos áudios aqui em baixo, mas use os melhores headphones que encontrar e escolha num sítio sossegado. Os sons são tão suaves que se tornam quase impercetíveis.

O primeiro áudio foi gravado a 22 de maio deste ano, quando o sismómetro da sonda InSight, equipado por um instrumento extremamente sensível às vibrações inventado por engenheiros franceses, detetou um sismo de magnitude 3,7 na escala de Richter na superfície marciana. Neste momento, a missão já decorria há 173 dias marcianos. Oiça aqui o primeiro “som peculiar” — assim lhe chamou o Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

O segundo “som peculiar” foi detetado em Marte uns meses mais tarde, a 25 de julho, quando um sismo de magnitude 3,3 na escala de Richter chegou aos sensíveis ouvidos do sismómetro da sonda InSight. A missão decorria havia 235 dias marcianos na altura em que este ficheiro de áudio foi gravado. Pode ouvi-lo, mas com dificuldade, aqui em baixo.

Num comunicado de imprensa publicado pela NASA, na terça-feira, a agência espacial norte-americana explicou que os registos sonoros captados pelo sismómetro estão numa frequência “muito abaixo da capacidade auditiva humana” e que, portanto, “tiveram de ser acelerados e ligeiramente processados para serem audíveis através de headphones“.

Embora tão subtis, estes ficheiros de áudio estão a cumprir o objetivo de descobrir o que há debaixo do pó vermelho da superfície marciana. “Os dois [sons] sugerem que a crosta marciana é como uma mistura da crosta da Terra com a da Lua”, descrevem os astrofísicos norte-americanos. “Marte, com a sua superfície cheia de crateras, é ligeiramente mais parecido à Lua, com ondas sísmicas a agitarem durante mais ou menos um minuto, enquanto na Terra os sismos podem surgir e desaparecer em segundos”, explicam.

Na Terra, as fissuras na crosta são fechadas à medida que a água passa por elas e as preenche com novos materiais, o que permite às ondas sonoras viajarem sem interrupções mesmo que passem por fraturas antigas. Na Lua, as ondas sonoras não conseguem viajar em linhas retas porque se cruzam com fissuras e crateras que não são preenchidas. Precisam, portanto, de muito mais tempo para chegar de um ponto ao outro do corpo celeste. Em Marte, isso também acontece.

Esta não é a primeira vez que a NASA publica os sons provocados pela passagem de ondas sísmicas na sonda InSight. Em abril, quando a missão decorria há cerca de quatro meses, a agência espacial norte-americana divulgou o primeiro registo de um sismo em Marte. Logo nessa altura a NASA percebeu que os sons provocados pelas ondas sísmicas em Marte viajavam em frequências muito diferentes das observadas na Terra.

As notícias sísmicas vindas de Marte chegam poucos dias depois de Jim Green, líder dos cientistas da NASA, ter dito que podemos estar a poucos anos de descobrir vida extraterrestre no Planeta Vermelho. “Tenho estado preocupado sobre isso porque penso que estamos perto de a encontrar e de fazer alguns anúncios”, disse ele ao The Telegraph.

No entanto, Jim Green afirma que a sociedade não está preparada para receber esse conhecimento: “Acho que não estamos preparados para os resultados. O que acontece a seguir é um novo conjunto de questões científicas. Essa vida será como nós? Como estamos relacionados? Pode a vida mover-se de planeta em planeta ou temos uma faísca e o ambiente certo e essa faísca gera vida?”, questiona.

Ainda assim, o cientista concorda que a descoberta de vida fora da Terra seria algo “revolucionário”: “Será como quando o Copérnico afirmou: ‘Não, nós é que andamos à volta do Sol’“, comparou. “Não há motivos para acreditar que não há civilizações noutros lugares já que estamos a encontrar exoplanetas por todo o lado”, defendeu em entrevista.

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