PS sem maioria, PAN alcança CDS e partidos pequenos podem chegar ao Parlamento. O que dizem as sondagens sobre as legislativas

PSD cresce nas intenções de voto, mas não basta. PS ganha, mas dificilmente com maioria. CDS, em queda, pode ser ultrapassado pelo PAN. E Bloco assume-se como terceira força política.

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António Costa deve renovar lugar no Governo, mas sem maioria absoluta, indicam as sondagens

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

António Costa deve renovar lugar no Governo, mas sem maioria absoluta, indicam as sondagens

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Seis sondagens, seis vitórias. Embora nunca chegue à maioria absoluta, o Partido Socialista (PS) é o vencedor das eleições de domingo, segundo as sondagens divulgadas pelo Expresso/SIC (ISCTE e ICS), pela TVI/Jornal de Notícias/TSF (Pitagórica), pelo Correio da Manhã/Jornal de Negócios (Intercampus), pelo Público/ RTP (Católica), pelo Sol (Eurosondagem) e pelo Jornal Económico (Aximage).

Com algumas variações entre si, também há constantes: o PS aparece sempre à frente dos restantes partidos embora em queda, o PSD recupera e aproxima-se dos socialistas (mas não o suficiente para ambicionar uma vitória), enquanto o Bloco de Esquerda mantém-se a terceira força política com mais intenções de voto. Entre os partidos com assento parlamentar, CDU continua a estar à frente do CDS, que perde deputados, e o PAN aproxima-se dos resultados do partido de Assunção Cristas — em algumas das sondagens, chega mesmo a ultrapassá-lo.

A sondagem mais favorável ao PS é a do Sol, que dá 38,8% da intenção de votos a António Costa. A menos favorável é a sondagem da Intercampus, que antecipa um resultado de 35% para os socialistas — uma diferença de 3,8 pontos percentuais em relação aos resultados da Eurosondagem.

O que significam estes números? Que, na sondagem do Sol, Costa elege 117 deputados no máximo e 109 no mínimo. E que, nos resultados da Intercampus, o PS fica-se pelos 104 mandatos. Ou seja, quer num cenário, quer no outro, é possível que os socialistas recorram a uma nova geringonça, já que muito dificilmente chegam à maioria absoluta. E que, mesmo que a alcançassem, seria por uma diferença de apenas um deputado.

PS a poucos deputados da maioria absoluta

Com ou sem maioria absoluta, e de acordo com as sondagens, o PS terá sempre uma subida no número de deputados eleitos em 2015 face aos 86 socialistas que existem atualmente no Parlamento. Por exemplo, a sondagem da Católica para o Público e RTP prevê que o partido de António Costa conquiste entre 97 e 107 deputados. E a sondagem do ISCTE para o Expresso já prevê números mais elevados — 104 a 114 deputados.

Em nenhuma das sondagens se prevê que o PS eleja menos deputados do que nesta legislatura. Mas só numa — e só mesmo no limite — as intenções de voto indicaram uma possível maioria absoluta. É o que acontece da Eurosondagem para o Sol.

Os socialistas estão tão próximos dos 116 deputados em todas as sondagens que o mais provável é que, se preferirem governar com mais do que uma simples maioria relativa, só precisariam de uma coligação com o Bloco de Esquerda ou CDU para alcançar o número de cadeiras parlamentares necessárias. Em 2015, a geringonça precisou de três rodas dentadas para funcionar: PS, Bloco e CDU. Passados quatro anos, com mais deputados eleitos, apenas precisaria de duas e, sendo assim, o PS pode dispensar um dos outros partidos.

PSD é quem mais cresce, mas não basta

Apesar de todos os dedos apontarem para a vitória do PS, o partido de António Costa tem caído alguns pontos nas sondagens. Pelo contrário, é o PSD de Rui Rio a força política que mais tem crescido nas intenções de voto. Na sondagem da Pitagórica, que tem feito registos diários, os sociais-democratas subiram 2,2 pontos percentuais num espaço de 12 dias — de 21 de setembro a 03 de outubro. E nas duas sondagens da Aximage subiu 1,6 pontos percentuais entre 25 de setembro e 02 de outubro.

Ainda assim, os resultados do PSD não devem ser suficientes para fazer frente ao PS nas urnas. O mais alto resultados que o partido liderado por Rui Rio conseguiu alcançar nas sondagens foi de 30%, segundo o estudo da Católica para o Público e RTP. No outro lado do espetro, a Eurosondagem foi a que apontou um resultado mais baixo para os sociais-democratas: 25,5%.

Mesmo com PS e PSD mais próximos em parte dos gráficos das sondagens, a margem entre os dois nunca foi inferior aos 6,4 pontos percentuais apontados pela sondagem da Pitagórica publicada a 30 de setembro. Pelo contrário, a sondagem em que se registou uma maior diferença entre os dois partidos foi a Eurosondagem, que os colocou a uma distância de 13,3 pontos percentuais.

PAN chega pela primeira vez aos 4%

O PAN ultrapassou o CDS pela primeira vez na sondagem da Pitagórica para a TVI, JN e TSF, desde que começou a ser realizada, no dia 21 de setembro. O partido de André Silva ultrapassou os 4% de intenções de voto pela primeira vez e chegou esta quinta-feira aos 4,4%. Em contrapartida, o partido de Assunção Cristas está agora nos 3,9% — a 0,5 pontos percentuais do PAN.

Já na sondagem da Intercampus, o partido de André Silva tinha ultrapassado o CDS, quando conseguiu 5,6% das intenções de voto contra 4,5% do CDS — uma diferença de 1,1 pontos percentuais.

Se estes forem os resultados das eleições no próximo domingo, isto traduz-se em duas consequências para o Parlamento. Em primeiro lugar, a esquerda ganha mais deputados porque o PAN elege mais deputados — nesta legislatura tem apenas um no Parlamento. E em segundo lugar, o CDS perde deputados. Em grande parte das sondagens, o partido de Assunção Cristas surge com cerca de 5% das intenções de voto, o que significa que o CDS pode ver reduzido o número de deputados para entre cinco e 10. Agora tem 18.

Ora, o CDS arrisca-se a ter o pior resultado de sempre em eleições legislativas, se olharmos para os mais recentes resultados da Pitagórica. Pode mesmo ser pior que o alcançado em 1987, quando elegeu quatro deputados e ficou conhecido por “partido do táxi”, uma vez que esse era o número máximo de ocupantes que os táxis podem levar.

Partidos pequenos podem chegar ao Parlamento

A sondagem da Aximage para o Jornal Económico aponta para que o Livre e o Chega conquistem, cada um, um deputado no Parlamento. Mas a sondagem da Católica indica que é a Iniciativa Liberal — não o Chega — a alcançar um lugar na Assembleia ao lado do Livre. A Intercampus, no entanto, fecha as portas do Parlamento a novos partidos: segundo os resultados, só as forças políticas que já têm assento parlamentar nesta legislatura têm a possibilidade de por lá continuar.

Já o estudo do ISCTE para a SIC e Expresso, escancara a porta do Parlamento a quatro dos pequenos partidos. São eles o Livre, com Joacine Katar Moreira, RIR de Tino de Rans, o Aliança de Pedro Santana Lopes e o Chega de André Ventura. É assim porque estes são os partidos que mais perto estão de atingirem 1% das intenções de voto, que dão 50% de probabilidade de eleger um deputado no nosso sistema eleitoral.

(atualizado sexta-feira, 4 de outubro, às 17h57)

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