A cabeça de lista do Livre por Lisboa às eleições legislativas, Joacine Katar Moreira, defendeu na noite de quinta-feira a necessidade de “uma mudança que desconforte” e antecipou que o partido vai ser “esse desconforto” no parlamento.

“A mudança que nós queremos não é só a substituição de cadeiras [no hemiciclo], não é somente a alteração de umas por outras e de uns por outros. A mudança que nós queremos é uma mudança que nos desconforte. Se não houver desconforto não há mudança e eu sou esse desconforto”, frisou Joacine Katar Moreira durante o encerramento da campanha eleitoral do Livre às legislativas de 6 de outubro, no Auditório Camões, em Lisboa.

Dirigindo-se a uma plateia quase cheia, a candidata afirmou que “rejuvenescer significa mudar” e essa mudança precisa de “uma visão do século XXI” e de um “parlamento do século XXII”.

Joacine Katar Moreira lembrou que foi escolhida para encabeçar a lista pelo círculo eleitoral de Lisboa “por militantes e simpatizantes” do partido que “consideraram, se calhar, esta era a época de desconfortar as cadeiras” da Assembleia da República.

Na opinião da candidata, o Estado “negoceia a tempo inteiro, mas não negoceia” a favor da população, como considera que aconteceu na questão dos aumentos salariais.

“Vêm dizer que é utopia um salário de 900 euros [uma das propostas do programa eleitoral do Livre]. Utopia é obrigarem-nos a viver com 600 euros quando as rendas são mais do que o dobro”, declarou, arrancando aplausos da plateia.

A cabeça de lista por Lisboa referiu também que, há quatro anos, o Livre defendeu “a convergência à esquerda” – que resultou no acordo parlamentar firmando entre PS, BE, PCP e “Os Verdes” -, proposta que, segundo Joacine Katar Moreira, levou a que achassem que os elementos do partido eram “utópicos, lunáticos” e que “desejavam estar encostados” a outras forças políticas.

“Muitos não votaram em nós revoltados com isto, elegeram outros partidos que depois convergiram à esquerda”, ironizou, acrescentando que “ainda bem que isso aconteceu”, mas que essa convergência entre PS, BE, PCP e “Os Verdes” teria sido “diferente se fosse feita pelos seus ideólogos”.

Remetendo para o debate de segunda-feira, na RTP, que reuniu os 15 partidos sem representação parlamentar, e no qual foi questionada a cada força política se viabilizaria um governo de PS ou PSD, a candidata explicitou que “não é o tempo de estarmos a responder” a essa questão, porque o partido não elegeu deputados.

“É preciso responsabilizar os que lá estiveram. Eles começaram a convergência que nós idealizamos, mas agora não somos nós os responsáveis por esta falta de entendimento. É preciso que os partidos que se uniram se entendam, esse entendimento não pode ser eleitoralista. Tem de ser verdadeiro”, frisou.