“Porque será que o Sexta às 9 foi suspenso antes das eleições, particularmente este programa que só pôde ser emitido ontem? Pode haver mil razões, mas perante a gravidade do que aqui está…” Foi assim que Rui Rio decidiu regressar ao Twitter após a noite eleitoral do passado domingo: destacando uma reportagem do programa Sexta às 9 e deixando no ar suspeitas sobre o timing da emissão, que aconteceu apenas após a campanha eleitoral.

Em causa está a reportagem emitida pelo programa de investigação na passada sexta-feira onde se dá conta da abertura de um inquérito por suspeitas de crime económico, pelo Ministério Público, ao processo de concessão de uma exploração de lítio em Montalegre a uma empresa criada três dias antes. O caso é particularmente relevante por envolver o ex-secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Costa Oliveira, e o ministro-adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira.

tweet de Rio, embora não concretize a acusação, parece cavalgar uma ideia já levantada ainda em setembro: a de que o programa Sexta às 9 teria sido suspenso para não influenciar a campanha eleitoral e, mais concretamente, não prejudicar o Partido Socialista. Foi isso mesmo que afirmou o cronista Eduardo Cintra Torres num artigo publicado no Correio da Manhã, onde afirmava que o “programa incomoda Maria Flor Pedroso, porque incomoda o poder”, numa referência à diretora de informação da RTP. A RTP justificou a decisão de só voltar a emitir o Sexta às 9 em outubro com os “ajustes de programação” necessários “em função da cobertura da campanha eleitoral”, como explicou à revista Sábado — que, no entanto, destaca não ter sido esse o caso durante a campanha de 2015.

Ainda antes do comentário do líder do PSD, a reportagem em causa já tinha provocado uma troca de comentários no Facebook entre o secretário de Estado da Energia, João Galamba, e Sandra Felgueiras, jornalista que lidera o programa. Galamba acusou o Sexta às 9 de se “dedicar à desinformação” e reiterou que a lei foi cumprida na atribuição da concessão. “O Sexta às 9 mente”, acusou o secretário de Estado. Sandra Felgueiras respondeu, num comentário à publicação, dizendo que “nenhum político nem servidor público está acima do escrutínio”. “Atacar a solidez das nossas dúvidas é atacar neste momento o Ministério Público”, acusou a jornalista.