Os Estados Unidos e a Turquia chegaram a um acordo para suspender a ofensiva militar turca na Síria, informou o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, em conferência de imprensa, após uma reunião com o Presidente turco. As operações militares ficarão paradas durante 120 horas, para facilitar uma “retirada ordenada” das tropas lideradas pelos curdos do local que a Turquia apelidou de “zona segura” na fronteira.

Donald Trump também escreveu uma mensagem no Twitter onde referiu que há “boas notícias da Turquia” e agradeceu a Recep Erdoğan, acrescentando que “milhões de vidas vão ser poupadas”. Após esta retirada, as operações militares da Turquia serão “interrompidas completamente”.

No início do mês, o Presidente norte-americano Donald Trump anunciou a retirada das tropas norte-americanas da Síria, onde lutavam contra o Estado Islâmico ao lado das milícias curdas, que ficaram à mercê de um ataque da Turquia, que as considera um grupo terrorista. A Turquia, por sua vez, tem atacado posições curdas no nordeste da Síria para tentar criar uma zona livre das milícias, apesar dos apelos da comunidade internacional e da ajuda do Governo sírio que já se instalou na região.

Ainda esta quinta-feira, as autoridades curdas no nordeste da Síria exigiram um “corredor humanitário” para retirar civis e “feridos” da cidade de Ras al-Ayn, cercada pelas forças turcas que a querem tomar aos curdos. Os combatentes curdos já perderam uma faixa fronteiriça de 120 quilómetros desde o início da ofensiva turca a 9 de outubro e pediram a ajuda do regime sírio, que deslocou tropas para diversos setores, nomeadamente a sul de Ras al-Ayn.

Também o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, disse estar “muito zangado” com a intervenção militar turca no nordeste da Síria e tinha pedido “sanções severas” aos líderes da União Europeia e o cancelamento imediato da intervenção militar. “Não estamos apenas preocupados, estamos muito zangados”, disse Sassoli.

Mike Pence referiu ainda na conferência de imprensa que os combatentes curdos irão honrar o acordo estabelecido entre os Estados Unidos e a Turquia. “Temos repetidas garantias deles que vão sair”, sublinhou.