Nos últimos quatro anos aprendemos que a Comissão Europeia não tem razão. Em vez de acatar o que diz, devemos fazer o contrário“. É desta forma que Catarina Martins fala dos avisos deixados por Bruxelas esta terça-feira. Um discurso em prol da desobediência à “chantagem europeia” que, em vésperas de negociações para o Orçamento do Estado, serve de aviso aos socialistas.

À margem de uma reunião que o Livre e o Bloco de Esquerda tiveram esta tarde no Parlamento, Catarina Martins criticou as observações deixadas esta terça-feira pela Comissão Europeia, que pediu mais informações a Mário Centeno sobre o esboço orçamental que apresentou na semana passada a Bruxelas e alertou para o “risco de desvio significativo” nele inscrito.

Comissão Europeia avisa que metas orçamentais de Centeno têm “risco de desvio significativo”

Questionada sobre se o PS pode, agora sem as posições conjuntas, ficar mais permeável a estes avisos da Comissão Europeia, a coordenadora do Bloco de Esquerda começou por evitar a questão mas lá acabou por responder que não acredita “em estados de espírito” mas sim “em convicções“. Os bloquistas ficarão atentos às próximas movimentações do PS.

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Já na reunião, que foi apenas “preliminar e exploratória”, como assinalou Catarina Martins, o Livre e o Bloco de Esquerda identificaram várias áreas de convergência em que os dois partidos podem vir a trabalhar ao longo da legislatura. “Concordamos que é preciso uma lei laboral mais forte, um Serviço Nacional de Saúde mais forte e serviços públicos mais fortes“, disse ainda a coordenadora bloquista.

O Livre, por seu lado, destacou a convergência não só nestas matérias mas também no “combate às desigualdades” e no “aumento do salário mínimo nacional”. A deputada eleita pelo partido, Joacine Katar Moreira, explicou que a reunião foi pedida pelo Livre não apenas ao BE mas também “a todos os partidos à esquerda do PS” para trabalhar numa legislatura “que seja marcadamente de esquerda”.