O Presidente francês, Emmanuel Macron, vai realizar uma visita de estado à China entre os dias 4 e 6 de novembro, onde participará também na cerimónia de abertura de uma feira de importações em Xangai.

A visita, anunciada esta quarta-feira pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, ocorre numa altura em que grupos empresariais europeus reclamam maior acesso ao mercado chinês e propõem mesmo medidas protecionistas em retaliação, caso Pequim continue a adiar reformas prometidas.

A participação de Macron na Feira Internacional de Importações da China, a convite do Presidente chinês, Xi Jinping, assume especial importância, depois de, no ano passado, as potências ocidentais não terem enviado delegações ao mais alto nível para participar na primeira edição daquele evento, que serve para promover o país asiático como importador.

Pequim enfrenta já uma prolongada guerra comercial com os Estados Unidos, que impuseram taxas alfandegárias adicionais sobre centenas de milhares de milhões de dólares de bens oriundos do país asiático.

A China tem tentado recrutar os países europeus como aliados na guerra comercial, mas Paris e Berlim ecoam também as reclamações dos EUA sobre o restrito acesso ao mercado chinês e a política de Pequim para o setor tecnológico, apesar de se oporem às táticas do líder norte-americano, Donald Trump.

As negociações China – União Europeia sobre um acordo abrangente para o investimento arrastam-se há mais de cinco anos. Os dois lados esperam concluir o acordo até ao final do próximo ano.

Inicialmente, havia esperança de que o plano de reforma apresentado pelo Comité Central do Partido Comunista, em novembro de 2013, após o Presidente chinês, Xi Jinping, assumir o poder, fosse cumprir com a sua promessa de dar ao mercado um “papel decisivo” na alocação de recursos.

No entanto, a governação de Xi nos últimos anos evidenciou uma cada vez maior supervisão do Partido Comunista sobre a economia e prioridade para o desenvolvimento das empresas estatais “mais fortes, maiores e melhores”, em detrimento de empresas do setor privado e firmas estrangeiras multinacionais.

A Câmara do Comércio da União Europeia em Pequim tem defendido uma “reciprocidade” no acesso ao mercado pelas empresas dos seus Estados membros.

No mais recente relatório, a Câmara afirma que as empresas europeias têm que percorrer um “estreito caminho pedregoso para entrar na China”, enquanto os investidores chineses têm “uma autoestrada aberta” para a Europa, onde realizaram nos últimos anos várias aquisições em setores estratégicos, incluindo em Portugal.

O mesmo documento afirma que Bruxelas enfrenta o seu “momento Sputnik” nas suas relações com Pequim e que deve, se necessário, tornar o seu mercado comum menos aberto ao investimento chinês em certas áreas. “Muitas empresas europeias desistiram de participar no mercado de compras governamentais na China devido ao tratamento injusto que enfrentam”, lê-se naquela nota.

“[A UE] devia pressionar [Pequim] a reformar as suas empresas estatais e sistema de compras públicas, ao restringir as ofertas de firmas chinesas nos concursos de compras públicas dentro da UE, enquanto a China continuar a adiar as suas próprias reformas”, propõe.