No verão, em Madrid e nas imediações do Wanda Metropolitano, vivia-se um ambiente generalizado de entusiasmo. O Atl. Madrid tinha acabado de contratar João Félix, o maior investimento da história do clube, tinha-se reforçado com dois titulares do vice-campeão português, Herrera e Felipe, tinha garantido o regresso de Morata, tinha colmatado a fragilidade da lateral da defesa com um vice-campeão europeu, Trippier, e ainda tinha viajado até ao Brasil para garantir uma promessa brasileira, Renan Lodi. Tudo isto, aliado às vitórias da pré-temporada e à goleada imposta ao Real Madrid nos Estados Unidos, permitia esse tal ambiente generalizado de entusiasmo.

De repente, em Madrid, sentia-se que a glória de 2014, em que o Atl. Madrid se sagrou campeão espanhol pela mão de Diego Simeone, poderia voltar a aparecer. As primeiras três jornadas da liga espanhola, que foram também sinónimo de três vitórias consecutivas, engordaram esse sentimento e levaram os colchoneros para a liderança da tabela, graças à pouca regularidade de Barcelona e Real Madrid. A derrota perante a Real Sociedad, a meio de setembro, foi o ponto de viragem não só nas expectativas dos adeptos e da equipa como em tudo aquilo que seriam as semanas seguintes do clube.

Desde aí, ao longo de dez jogos espalhados por liga espanhola e Liga dos Campeões, o Atl. Madrid somou seis empates e quatro vitórias e nunca marcou mais do que dois golos por partida, ficando mesmo em branco em três ocasiões. A falta de eficácia dos colchoneros, que Simeone já reconheceu que é um problema real que impede a equipa de garantir melhores resultados, alia-se a exibições cinzentas, sem a magia que João Félix prometeu, sem o poder de fogo de Diego Costa e Morata e sem as dinâmicas normalmente associadas a Koke, Saúl, Correa e Lemar. A lesão do jogador português, contra o Valencia, só veio tornar ainda mais magras as expectativas do Atl. Madrid e colocar em stand by todos os resultados futuros, mesmo que com equipas teoricamente inferiores.

Algo que, porém, não era o que acontecia este sábado. O Atl. Madrid, que entretanto é já quinto na liga espanhola — atrás de Barcelona, Real Madrid, Granada e Sevilha –, visitava precisamente os sevilhanos de Lopetegui. À entrada para a partida, ambas as equipas já sabiam que em cenário de vitória, eram líderes à condição graças à derrota do Barcelona com o Levante. Com um onze inicial que tinha Jesús Navas, Reguilón, Banega e o ex-FC Porto Óliver Torres, o Sevilha chegou à vantagem ainda antes da meia-hora, num lance concretizado por Franco Vázquez que começou num livre tombado na direita e onde fica a sensação de que Oblak poderia ter feito mais (28′).

Óliver Torres foi titular na equipa de Lopetegui

Ao intervalo, Simeone reagiu com as entradas de Arias e Diego Costa para os lugares de Trippier e Lemar e o avançado espanhol introduziu a bola na baliza apenas dez minutos depois, de cabeça, mas o lance terminou anulado por fora de jogo de Correa antes da assistência. O Atl. Madrid da segunda parte, porém, era diametralmente oposto ao da primeira, e a equipa de Madrid regressou do balneário com o objetivo claro de lutar pelo resultado e até pela vitória, anulando o ímpeto ofensivo que o Sevilha tinha mostrado até ao intervalo e assentando arraiais no meio-campo defensivo do conjunto orientado por Lopetegui. O golo do empate, o golo do empate que se adivinhava desde o arranque da segunda parte, acabou por surgir já em cima da hora de jogo, por intermédio de Morata: o avançado espanhol está num pico de forma assinalável, marcou pelo quarto encontro consecutivo e é mesmo o abono de família do Atl. Madrid que voltou a salvar Simeone e companhia de uma derrota. Até ao fim, Diego Costa ainda falhou uma grande penalidade.

As duas equipas empataram, desperdiçaram a oportunidade de chegar à liderança da liga espanhola e vão continuar atrás de Barcelona e Real Madrid. O Atl. Madrid, que voltou a empatar, terminou o encontro em cima do Sevilha e a beneficiar de várias oportunidades que poderiam ter garantido a vitória: mas pagou a fatura de ter acordado tarde.