Os dez países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) estão dispostos a assinar no próximo ano um megatratado comercial para criar a maior aliança económica do mundo, anunciou esta segunda-feira o primeiro-ministro da Tailândia.

Os membros da ASEAN finalizaram as negociações do projeto, denominado Parceria Económica Regional (RCEP), e estão dispostos a assinar o tratado em 2020, afirmou Prayut Chan-Ocha. Estas declarações foram proferidas durante a cimeira da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que se realiza em Banguecoque.

Além dos países-membros da ASEAN (Malásia, Indonésia, Brunei, Vietname, Camboja, Laos, Myanmar, Singapura, Tailândia e Filipinas) e da China, o acordo inclui ainda a Índia, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Nova Zelândia, que, juntos, representam aproximadamente 40% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e quase metade da população do planeta.

O projeto, promovido por Pequim e que junta 16 Estados da região da Ásia-Pacífico, tem como objetivo fortalecer a influência da China.

O RCEP, cujas negociações foram formalmente iniciadas na ASEAN em 2012, abrange uma população de 3,4 mil milhões de pessoas, ou 47% da população mundial, e um PIB mundial de 32%, 29% do comércio mundial e 32,5% do investimento mundial.

A RCEP nasceu como a resposta de Pequim ao Acordo Transpacífico de Cooperação Económica (TPP), apoiado ao princípio por Washington, mas rejeitado pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que decidiu retirar o país do TPP, pouco depois de ter assumido o cargo em 2017.

Apesar dos dados apresentados pelo megatratado, as negociações têm sido lentas e complicadas e há cinco anos que os líderes políticos das nações envolvidas afirmam repetidamente estarem perto de chegar a um acordo.

Um dos obstáculos para a assinatura do projeto é a Índia, por recear que o RCEP prejudique a manufatura local e que o país acabe “inundado” por produtos fabricados na China.