Ao quarto minuto de descontos da visita do Liverpool ao recinto do Aston Villa, no passado sábado, o atual campeão europeu estava empatado com uma das equipas que subiu esta temporada à Premier League. Os villains, habituados ao futebol de primeiro escalão, abriram o marcador ainda na primeira parte e seguraram a vantagem até perto dos 90′, altura em que Robertson repôs a igualdade. Ao quarto minuto de descontos, tudo parecia então decidido. Até que Trent Alexander-Arnold bateu um canto na direita, muito puxado ao primeiro poste, e Sadio Mané apareceu a correr em direção oposta à da baliza para desviar de cabeça para o golo da vitória. Além de servir para manter os seis pontos de vantagem que o Liverpool tem na liderança da Premier League, o golo de Mané foi um exemplo maior da subtileza de um avançado que parece jogar de pantufas e meias de inverno calçadas.

De forma bastante oportuna, a France Football começou esta terça-feira a revelar pequenos excertos da longa entrevista ao jogador do Liverpool, assim como fez na semana passada com o longo artigo dedicado a Cristiano Ronaldo. Nas passagens que já se conhecem, Mané elogiou Jürgen Klopp sem grandes pudores e recordou a curta palestra dada pelo treinador alemão na antecâmara da segunda mão das meias-finais da Liga dos Campeões da temporada passada — quando os ingleses receberam o Barcelona e deram a volta à eliminatória de forma espetacular. “Às vezes surpreende-nos, como foi o caso do jogo com o Barcelona. Apareceu e disse: ‘Olá, rapazes. Tenho boas notícias para vocês’. O balneário ficou mudo e ele continuou. ‘Sim, a boa notícia é que o Barcelona é uma equipa que joga bem e são essas equipas que adoramos. Vão ver, vamos chegar à final’. Foi o melhor que podia ter dito para nos tirar a pressão”, contou o senegalês.

A relação de Klopp com Mané é visivelmente próxima e o avançado não o escondeu na entrevista. Ainda que, de forma pelo menos aparente, o treinador tenha com todos os jogadores do plantel uma ligação de carinho e amizade, a verdade é que as demonstrações da proximidade com o senegalês de 27 anos são frequentes, entre abraços, gargalhadas e brincadeiras nos treinos ou junto ao banco de suplentes. “O segredo dele, acho eu, é ser o pai da equipa. Entre nós, houve um clique imediato. Todos o adoramos como um pai e todos o receamos como um pai também. Ele ocupa uma grande parte da minha vida e não é só no futebol. É ótimo enquanto pessoa. Confio cegamente nele e acho que o resto do balneário sente o mesmo”, confidenciou Mané, que antes de se transferir para o Liverpool era jogador do Southampton.

Sobre os colegas de equipa, o avançado falou de Salah e disse acreditar que “falam o mesmo futebol”. “É um grande goleador. Um jogador excecional que sabe fazer tudo. É um grande prazer evoluir ao lado dele”, explicou Mané, que voltou a abrir o coração para falar de Naby Keita, o médio guineense com quem se cruzou ainda no Salzburgo e que reencontrou no Liverpool. “É mais do que um amigo para mim, é um irmão. Os últimos tempos não têm sido fáceis para ele porque esteve lesionado muito tempo. Mas sei que vai voltar no seu melhor porque está a trabalhar muito para isso. Ter um verdadeiro amigo no grupo não tem preço”, acrescentou.