O último eletricista de Pablo Picasso, Pierre Le Guennec, e a sua mulher foram esta terça-feira condenados em última instância a dois anos de prisão, com pena suspensa, por ocultação e uso ilícito de 271 obras do pintor espanhol, avaliadas entre 60 e 100 milhões de euros, que guardaram durante 40 anos na sua garagem, avançou a AFP.

O casal já havia sido condenado duas vezes por ter mantido secretamente as obras — em 2015 foram condenados em primeira instância e um ano depois, após um recurso, voltaram a ser condenados. Em dezembro de 2016 o Supremo Tribunal francês anulou a pena, alegando que o Tribunal de Aix-en-Provence não havia demonstrado que as obras eram “provenientes de um assalto”. A decisão motivou um terceiro julgamento em Lyon.

O presidente do Tribunal de Recurso de Lyon confirmou esta terça-feira a sentença do Tribunal de Grasse, em 2015.

“É o triunfo da verdade e o fim de uma mistificação”, reagiu Jean-Jacques Neuer, advogado do filho do pintor, Claude Ruiz-Picasso. O advogado afirmou que Pierre Le Guennec teve, no mundo da arte, um papel semelhante ao das “mulas no narcotráfico” (pessoas que fazem contrabando de droga escondida no corpo).

Essas 271 obras surgiram em 2010, escreve a AFP, quando Le Guennec pediu a Ruiz-Picasso que autenticasse um caderno com 91 desenhos de Picasso. Após ter sido detetado que algumas das obras não estavam assinadas pelo artista espanhol, uma prática incomum deste, os herdeiros acusaram o casal Le Guennec de ocultação e uso ilícito.

No lote de 271 obras de arte havia seis pinturas a óleo, nove colagens cubistas e 28 litografias pintadas por Picasso, todas datadas de entre 1900 e 1930 e que não foram inventariadas quando o pintor morreu. As obras foram avaliadas entre 60 e 100 milhões de euros por um advogado da família do artista. O eletricista de 80 anos e a sua mulher, de 70, não estiveram presentes no julgamento.