Um ano depois de ter lançado pela primeira vez as suas trotinetes em Lisboa, a Hive voltou a apostar na capital portuguesa para estrear outro tipo de transporte. A partir desta quinta-feira, a empresa de micromobilidade vai ter também bicicletas elétricas partilhadas. Numa fase inicial, serão 150 veículos nas ruas de Lisboa, que vão concorrer diretamente com as bicicletas elétricas Gira e as Jump, da Uber.

“Acreditamos que há muitas sinergias entre trotinetes e bicicletas elétricas e que vamos poder oferecer uma experiência melhor e melhores escolhas aos nossos utilizadores”, referiu ao Observador o presidente executivo da Hive. Para Tristan Torres, este é mais um passo em direção a uma plataforma multimodal. “Queremos ser uma espécie de Amazon da micromobilidade, ou seja, oferecer seleção aos utilizadores. Porque a forma como as pessoas se movem na cidade muda completamente de dia para dia. Um dia de sol ou um dia de chuva altera a nossa perspetiva de mobilidade”, acrescenta.

A empresa, que desde fevereiro deste ano faz parte do grupo Free Now (dona da Kapten e da Free Now, antiga Mytaxi), indica em comunicado que para os utilizadores poderem alugar uma bicicleta elétrica terão de o fazer com a app da Hive, tal como acontece com as trotinetes. O custo de utilização das bicicletas é de 20 cêntimos por minuto, sendo o desbloqueio gratuito.

Tristan Torres acrescenta ao Observador que Lisboa é também um “lugar teste” dos novos produtos da Hive antes destes chegarem a outras cidades europeias. “Em primeiro lugar, Lisboa é a nossa primeira cidade. Todos os projetos que fizemos e testamos foram cá. Em segundo lugar, temos uma boa relação com a autarquia. Eles sabem que respeitamos, disseram-nos quais eram os requisitos e o que tínhamos de trabalhar”, explica o responsável da empresa.

As bicicletas elétricas da Hive são, de acordo com Tristan Torres, “mais pequenas do que a atuais bicicletas na cidade, mais confortáveis e mais fáceis de conduzir”. O modelo de funcionamento será semelhante ao das trotinetes: serão recolhidas todos os dias e existem hotspots para serem estacionadas. Para garantir a segurança destes veículos, a empresa diz que pretende “fazer a manutenção de cada bicicleta de três em três dias”.

O nosso negócio principal são as trotinetes, mas como grupo agora, queremos chegar a uma plataforma multimodal. Em dezembro, os clientes vão poder alugar as nossas trotinetes, e possivelmente as bicicletas, através da app da Free Now. Dependendo de como um cliente se sente, vai usar um determinado tipo de mobilidade: se é verão e quer apanhar ar então pode apanhar uma trotinete. Se é inverno pode usar mais a bicicleta. Se está a chover provavelmente vai usar um táxi. É isto que queremos”, acrescentou Tristan Torres ao Observador.

Dois milhões de quilómetros viajados e uma prioridade: a regulação

Também na altura em que comemora o primeiro aniversário em Portugal, a Hive divulgou que já foram percorridos quase dois milhões de quilómetros em viagens nas suas trotinetes, reduzindo assim “mais de 435 toneladas” de CO2. Além da sustentabilidade, o presidente da empresa destaca outra prioridade: a regulação.

“O meu grande objetivo é garantir que as trotinetes e as bicicletas elétricas são parte da cidade e não uma dor de cabeça. Não quero que as cidades se tornem como Paris. Não operamos em Paris porque não me sinto confortável em operar com tanta desordem, falta de regulação, com milhares de trotinetes atiradas em todo o lado”, explica.

O responsável da Hive volta a defender que as empresas de trotinetes (e de bicicletas elétricas) devem pagar uma taxa para poderem operar nas cidades, uma vez que estão a utilizar o espaço público, e que o valor desses impostos seria utilizado para tornar a cidade mais amiga do ambiente. Lisboa, diz, é “um exemplo pioneiro de regulação”, por ter implementado medidas como os hotpots ou ter determinados locais do centro histórico onde o estacionamento é proibido.

Questionado sobre as mais recentes saídas de operadores de Portugal, como foi o caso da VOI, Tristan Torres admite que “este não é um negócio barato para se manter” e considera que “é um bom sinal” quando os operadores “que querem um estilo de atuação livre saem”. Porquê? “Porque é sinal que há regulação”, explica. Acredita, no entanto, que “os concorrentes que deixaram Lisboa vão voltar”.

95% dos nossos clientes são locais, não são turistas. Lisboa é uma cidade onde as pessoas estão habituadas a sair, a utilizarem os transportes públicos e agora a usarem as trotinetes. Estão habituados a este tipo de mobilidade outdoor. E é por isso e que acredito que há empresas que vão voltar”, acrescenta o CEO da Hive.

Apesar de estar agora a investir nas bicicletas elétricas, a Hive tem também outros planos na agenda do próximo ano, como por exemplo funcionar em algumas cidades apenas no verão, quando os utilizadores regulares em Lisboa vão de férias e acabam por utilizar menos estes veículos na capital.