Enquanto ainda se esperava que o Orçamento do Estado desse entrada no palácio de São Bento, cumpria-se outra tradição da política portuguesa, mas noutro palácio: a apresentação de cumprimentos de boas festas do Governo ao Chefe de Estado. Costa, Centeno e os restantes membros do executivo deixaram a máquina a trabalhar e foram a Belém ouvir elogios e alguns avisos do Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa, que já tinha desvalorizado antes a polémica sobre o orçamento da zona euro, assinalou mais um ano de “convivência estável” entre Presidência e Governo, recordou “os anos que passaram”, que de acordo com o Presidente “foram de estabilidade política, institucional, financeira e económica” e  que isso “foi bom para o país”. Marcelo aproveitou depois a deixa para dizer que espera “olhar para trás [dentro de um ano, por ocasião dos cumprimentos de boas festas de 2020] e dizer que foi um ano estável”.

Mas o Presidente da República não quer apenas estabilidade e apontou: “Seria ainda melhor se pudéssemos dizer que foi um ano superior ao anterior em termos de metas na vida dos portugueses”.

Feitos os desejos, faltavam os avisos. “A exigência é uma sentinela que não pode dormir”, citou o Presidente para lembrar a Costa que a confiança que os portugueses lhe deram nas urnas “não é ilimitada”. Marcelo sublinhou ainda que 2020 vai ser um ano “muito exigente” e “muito importante”, até porque “serão votados dois dos quatro orçamentos desta legislatura”.

Centeno um dois em um: “Boas festas ao Governo e ao Eurogrupo”

De presente do primeiro-ministro, o Presidente da República recebeu um cachecol oficial da Federação Portuguesa de Futebol, também com os símbolos olímpico e paralímpico, a pensar nas grandes competições desportivas do ano que vem.

Foi, aliás, com esse presente aos ombros que Marcelo pousou para os repórteres de imagem depois de receber os cumprimentos do Governo. E enquanto se ajustavam todos para a esquerda, comentava: “Devo ser o último moicano de direita”.

Mas não era esse o troféu que Marcelo Rebelo de Sousa queria exibir naquela ocasião em que Costa e Centeno deram um abraço em público para ficar registado nas câmaras: “Devo ser o único Presidente da República que tem a sorte de desejar ao mesmo tempo boas festas ao Governo português e ao Eurogrupo”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, dirigindo-se ao ministro das Finanças (e presidente do Eurogrupo).