O presidente da Jeep, Christian Meunier, está determinado a fazer da Jeep o construtor de SUV mais ecológico do mundo. Para tal, promete que, em 2022, todos os modelos que compõem a oferta da marca norte-americana já estarão representados por uma variante electrificada, ou seja, uma versão híbrida, híbrida plug-in (PHEV) ou 100% eléctrica (EV).

Em entrevista à Car&Driver, o responsável máximo da Jeep confirmou que este ano serão introduzidas as variantes PHEV do Compass e do Renegade, cujo arranque de produção o Observador teve oportunidade de acompanhar. Em Portugal, estes Jeep capazes de percorrer até 50 km em modo exclusivamente eléctrico, deverão chegar no segundo semestre de 2020 para, pouco depois, seguramente antes do final do ano, ser introduzido o Wrangler 4x4e – é assim que a Jeep nomeia os seus PHEV, para aludir em simultâneo à tracção integral e ao apoio eléctrico.

Meunier nada adianta em relação ao Wrangler, mas o modelo tem sido apanhado por diversas vezes em testes de desenvolvimento, pelo que não seria de espantar que fizesse a sua estreia ao lado do Compass e Renegade PHEV, já na próxima edição do Salão de Genebra. Recorde-se que as variantes mais amigas do ambiente destes Jeep vão contar com um grupo motopropulsor que combina o novo 1,3 litros turbo da nova família de motores FireFly com uma unidade eléctrica (60 cv) montada no eixo traseiro, alimentada por um acumulador de 11,4 kWh fornecido pela LG. O Renegade estará disponível em versões de 130 e 180 cv, sendo a mais potente a única que vai animar o Compass hybrid.

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Mas a hibridização da Jeep já arrancou com o Commander – o equivalente ao “nosso” Grand Cherokee – e não foi de ânimo leve que a China foi o mercado escolhido para dar o pontapé de saída. No gigante asiático, os carros são taxados pela cilindrada dos motores: quanto maior, mais proibitivo se torna o preço proposto ao consumidor – excepto se o modelo em causa usufruir de uma componente electrificada, o que abre caminho para que se torne numa proposta acessível a um maior número de clientes. Daí que o Commander seja comercializado por valores a partir de 39.700€ depois das ajudas governamentais.

E é por isso que a Jeep se está a adaptar, ou não fosse a China o maior mercado mundial para a venda de automóveis. No processo, a marca norte-americana trata de compor um portefólio que lhe permita cumprir as normas antipoluição europeias. O limite de emissões de CO2 estipulado para 2020 será estreitado em 2025 mas, já em 2022, a Jeep terá a gama completamente electrificada, de acordo com Meunier. Significa isto que, depois do Renegade, Compass e Wrangler, a electrificação vai chegar ao Cherokee, Grand Cherokee e, inclusivamente, à pick-up Gladiator, cuja chegada ao nosso mercado está prevista também para este ano. Para já, apenas com motores de combustão. Em 2022, a conversa será outra. Ao que o Observador apurou, a solução PHEV que vier a aplicada no Wrangler será também adoptada na pick-up.

Christian Meunier, ex-Infiniti, lidera os destinos da Jeep desde Maio do ano passado

Desde que assumiu a liderança da Jeep, Christian Meunier mostra-se particularmente inclinado para a vertente tecnológica. É provável que os amantes de off-road se mostrem cépticos em relação à performance dos Jeep mais ‘verdes’, mas o responsável máximo da marca trata de sossegar os espíritos mais inquietos, garantindo que a electrificação reforçará ainda mais as credenciais da marca no fora de estrada. A ponto de ele próprio, se mostrar agradado com a possibilidade de vir propor um Wrangler 100% eléctrico, para escalar obstáculos no mais completo silêncio, sem portas e sem capota, em plena comunhão com a natureza. A imagem até é agradável, mas pode tornar-se o oposto se não houver um posto de carga por perto…