O ministro de Estado e das Finanças, Mário Centeno, afirmou esta sexta-feira que “é cedo para fazer declarações sobre o valor” do saldo orçamental de 2019, numa conferência de imprensa em que salientou a prestação da economia no último trimestre.

“É cedo para fazer declarações sobre o valor do saldo para além daquelas que estão na projeção do Orçamento do Estado [défice de 0,2% do PIB]. É público que a execução em dezembro correu bastante bem, mas temos de esperar pelo INE [Instituto Nacional de Estatística], que divulgará os números no final de março”, disse Mário Centeno aos jornalistas no Ministério das Finanças em Lisboa.

O também presidente do Eurogrupo realçou, no entanto, o “comportamento positivo das contas públicas ao longo de 2019”, algo que dá “alguma confiança sobre a execução orçamental do ano”.

PIB cresce 2,0%

A economia portuguesa cresceu 2,0% em 2019, uma décima acima do estimado pelo Governo, de acordo com a divulgação dos números do Produto Interno Bruto (PIB) feita esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Segundo o INE, no quarto trimestre de 2019, o PIB nacional cresceu 2,2% em termos homólogos (comparação com o mesmo período de 2018) e 0,6% em cadeia (relativamente ao terceiro trimestre de 2019).

Os números esta sexta-feira superam em uma décima os estimados pelo Governo, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Fundo Monetário Internacional (FMI) e Conselho das Finanças Públicas, mas estão em linha com a previsão do Banco de Portugal e da Comissão Europeia. Estão 0,4 pontos percentuais abaixo do crescimento registado em 2018 (2,4%), ano em que já se tinha assistido a uma desaceleração da economia portuguesa face a 2017 (crescimento de 3,5%).

UTAO aponta desvio de 1.488 milhões

Já a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) afirmou esta sexta-feira, num relatório relativo a 2019, que as receitas e despesas das Administrações Públicas registaram um desvio de 1.488 milhões de euros face ao orçamentado.

O saldo global das Administrações Públicas de -987 milhões de euros ficou acima do valor de -2.475 milhões de euros previsto no OE2019, refletindo, assim, um desvio de 1.488 milhões de euros”, pode ler-se no relatório da UTAO a que a Lusa teve acesso.